Um repórter antes de qualquer coisa

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Passei o dia ontem refexivo. Aliás, tenho repensado muita coisa em minha vida nesta fase em que me aproximo da maturidade. Filhos criados – ou quase -, carreira construída, valores absolutamente solidificados, já não alimento tantos sonhos. Procuro viver o dia a dia, aproveitando ao máximo as oportunidades que a vida dá e aprendendo com os descaminhos. Por isso, a morte de Orlando Farias me tocou epecialmente.

Conheci o Orlando em 1989, quando fui trabalhar em uma equipe montada pelo então governador Amazonino Mendes em sua Secretaria de Comunicação, cujo objetivo era construir a imagem de um estadista. Eu, que começara a carreira há pouco mais de três anos, e a Mônica Santaella, também no início da caminhada, éramos os responsáveis pelo dia a dia, mas ele, já um jornalista respeitado e incensado, levantava e produzia, junto com o também competentíssimo Wilson Nogueira, as grandes informações que serviriam para consolidar a estratégia. Não deu tão certo, afinal o “chefe” não colaborava muito, mas foi um período de extremo aprendizado para mim.

Convivemos pouco, mas aprendi a respeitá-lo pela busca constante da notícia, mesmo atuando em uma assessoria oficial. Cruzamos nossos destinos várias vezes depois, mas um episódio em especial me torna eternamente grato a ele. Foi em 2004, quando eu era coordenador do jornalismo da Agência de Comunicação do Governo e ele editor da coluna Sim&Não, do jornal A Crítica. Como encontrava dificuldades para falar diretamente com o governador Eduardo Braga e com o secretário de Comunicação, o jornalista Cacá Colognese, Orlando passou a me usar como fonte preferencial no Governo e eu procurei correponder à sua confiança, sendo extremamente fidedigno nas informações que lhe passava.

Ele passou, então, a me tratar como “porta-voz” do Governo. Temi represálias ou ciumeira por parte do Cacá, mas ao invés disso fui incentivado por este grande profissional a manter a relação e alimentar o Orlando com o máximo de informações possível. O então secretário sabia que estava no cargo de passagem, não tinha ambição de permanecer nele e se ressentia da distância da família, que morava em São Paulo. Por isso, tinha pouco contato com as redações e se dedicava mais à publicidade e à administração. Foi então que o governador Eduardo Braga percebeu que eu poderia ser mais útil e, depois da saída de Colognese, me guindou a sub-chefe e depois chefe da Agência.

O Orlando partiu sem que eu contasse isso a ele. Tínhamos pouco contato nos últimos anos e posicionamo-nos em polos opostos muitas vezes, mas sempre acompanhei e admirei seu trabalho de repórter. Mesmo dedicado ao Blog da Floresta, que ele criou, volta e meia brindava seu público com grandes reportagens, como aquelas com as quais ganhou o Prêmio Esso, maior conquista do jornalismo brasileiro, em duas ocasiões.

Era polêmico, claro. Comunista convicto, egresso do antigo Partidão e filiado ao PPS, manteve-se fiel aos amigos de primeira hora e não tinha receio de se posicionar, como fez nesta última eleição.

Valeu, Orlando.

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