Um psicopata preso, uma linda mulher morta, um pai que se foi: a história de uma tragédia

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Cinco dias depois de cometer o crime que abalou Manaus, o analista judiciário Raphael Fernandes Rodrigues, 31, chegou ontem à cidade, depois de ser preso na fronteira brasileira com a Venezuela, em uma barraca improvisada no município de Pacaraima (Roraima), para onde havia fugido, com a intenção de alcançar o país vizinho e daí a Espanha, onde tem parentes. Se, saída, ele revelou, na confissão, um crime bárbaro, o feminicídio clássico, motivado pelo ciúme doentio que sentia pela vítima, Kimberly Mota, de 22 anos, a Miss Manicoré 2019 e finalista do Miss Amazonas no mesmo ano.

A tragédia que cerca o caso é total. De um lado, uma família do interior amazonense, destroçada com a perda abrupta de uma filha na flor da idade. De outro, uma família destruída ao ver em que se transformou o filho criado com sacrifício e carinho. O pai, desgostoso, suicidou-se nos trilhos do metrô de São Paulo, a terra natal do assassino. A mãe não quer nem mais vê-lo.

Se o homicídio em si já havia chocado a sociedade, a confissão acrescentou morbidez ao caso. Rafael contou aos policiais da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (Dehs), em depoimento, que pegou o celular de Kimberly enquanto ela dormia e viu mensagens de outros homens para ela. Possuído pelo ciúme, foi à cozinha, armou-se com uma faca e a executou. Depois, ainda limpou o corpo e pensou em formas de escondê-lo. Não conseguindo pensar mais em nada, desistiu e empreendeu a fuga.

Depois do crime cometido, Rafael ligou para o pai em São Paulo e contou o ocorrido. Arrasado, o genitor chegou a sugerir que ele se entregasse. O rapaz não deu ouvidos. Trocou de roupa e seguiu para a tentativa quase bem sucedida de deixar o país. Ainda conseguiu pensar na eliminação de provas. Ele levou consigo na fuga o celular de Kilberly, que descartou na estrada, em área de mata.

A própria fuga, aliás, mostra que Rafael tinha a mente totalmente perturbada, mas ainda assim conseguia transmitir alguma confiabilidade para as pessoas com quem se encontrou no caminho. Capotou o carro na altura do município de Caracaraí, em Roraima, mas ainda assim convenceu um caminhoneiro a levá-lo até Boa Vista. Ali, frio como todo psicopata, foi ao banco, sacou dinheiro e tomou um táxi até Pacaraima. O plano de fuga, arquitetado em pouco minutos, teria dado certo se a Venezuela não tivesse tornado mais rigorosa a fiscalização na fronteira, por causa da Covid-19. O criminoso localizou, então, venezuelanos que ajudavam a atravessar a fronteira por caminhos clandestinos. Quando aguardava o momento certo da travessia, foi localizado pela Polícia Militar de Roraima e preso.

Rafael é inteligente. Funcionário concursado da Justiça do Trabalho, ganhava um bom salário, ao qual ainda terá direito por algum tempo, até porque sua exoneração implica em processo administrativo.

A prisão só foi possível porque policiais civis e militares de Roraima, serviços de inteligência do Amazonas e do Estado vizinho e a Polícia Rodoviária Federal formaram uma força tarefa para prender o suspeito. As posses, aliás, já lhe permitiram contratar advogado, que o assistiu no depoimento de ontem. Seus próximos dias passarão atrás das grades, a espera do julgamento, que deve comover de novo Manaus e Manicoré.

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