“Sem vacina, 70% das pessoas com mais de 60 que ficam graves morrem”, diz Wilson

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“Fomos o primeiro estado a atingir um nível muito agudo de casos da Covid-19. Nós temos algo em torno de 11 mil óbitos. Setenta por cento das pessoas acima de 60 anos estão morrendo, por isso a necessidade de haver urgência em imunizar esse grupo e aquelas pessoas com comorbidades”. A declaração é do governador Wilson Lima (PSC) .durante audiência virtual da Comissão Temporária do Senado criada para acompanhar as ações contra a Covid-19 (CTCovid19).

No encontro, o governador destacou que as ações do Estado buscam estabelecer um equilíbrio entre a capacidade de atendimento na rede de saúde e a atividade econômica. Para a audiência, presidida pelo senador Confúcio Moura (MDB), também foram convidados os governadores de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Ceará, Bahia e Distrito Federal. Na ocasião, foram abordadas, ainda, as dificuldades encontradas por estados no enfrentamento da pandemia com o colapso do sistema de saúde e a vacinação contra a Covid-19.

“Trabalhamos para encontrar o equilíbrio da ampliação da nossa rede hospitalar e da flexibilização para manter o mínimo de atividade econômica em funcionamento. É importante levar em consideração esse tripé da saúde, economia e social, para que haja um trabalho de proteção da vida”, defendeu o governador, ao lembrar que o Amazonas não chegou a adotar o fechamento total do estado, o chamado lockdown.

Medidas restritivas

Wilson Lima explicou que o Estado está em processo de retorno das atividades econômicas e lembrou que, no auge do segundo pico da pandemia, manteve serviços essenciais como supermercados, farmácias e outros para atender a população.

Apesar de desagradarem uma parcela da sociedade, as medidas restritivas de circulação de pessoas têm apresentado resultados significativos para frear a transmissão do vírus e para evitar a ocupação dos hospitais com outras causas, como vítimas de acidentes de trânsito e agressões.

“Uma medida que adotamos, que foi muito efetiva, foi a restrição de circulação de pessoas entre 19h e 6h da manhã. A restrição de circulação é uma medida muito antipática porque ela mexe com uma parcela muito significativa da população, mexe com a atividade econômica. Então é preciso ter muito equilíbrio e, acima de tudo, um diálogo constante com os setores da sociedade e órgãos de controle”, ressaltou o governador.

A transparência tem marcado todas as ações. O Comitê de Enfrentamento à Covid-19 do Governo do Amazonas mantém diálogo permanente com representantes de diversos setores econômicos, além de se reunir semanalmente com representantes dos demais poderes e órgãos de controle.

Evolução da pandemia

Na audiência, o governador também apresentou números da pandemia no Amazonas.

Com os avanços na rede de saúde e na redução da taxa de transmissão, o Estado começa a sair da fase mais crítica deste segundo pico da pandemia. A taxa de transmissão no Amazonas, que chegou a 1,3, a maior entre os estados do país, agora está na ordem de 0,87, o que significa que cada cem pessoas contaminadas transmitem para outras 87.

Ao comentar a evolução de casos e internações que ocorre neste momento em outros estados, Wilson Lima destacou o aumento brusco do consumo de oxigênio durante o segundo pico da pandemia no estado, que saltou de 15 mil m³ por dia para 80 mil m³ por dia.

“Nesse agravamento que a gente observa agora no país, haverá naturalmente o aumento do consumo de oxigênio. Nós sofremos um problema muito grave com relação a isso porque os casos evoluem com uma rapidez muito grande. O período para atingirmos o pico de internações e de óbitos foi de 18 dias e, depois que chegou ao pico, 30 dias para que começasse a chegar aos patamares que tínhamos no início do segundo pico”, alertou.

Wilson Lima lembrou que, ainda no ano passado, a rede de saúde foi preparada para um possível aumento do número de casos baseado nos atendimentos realizados no primeiro semestre de 2020. Mas, no início deste ano, a quantidade de internações triplicou, superando a expectativa do Estado.

A escassez de insumos básicos e de mão de obra especializada, principalmente médicos e enfermeiros, e a majoração dos preços também foram problemas enfrentados pelo Estado e citados por Wilson Lima na audiência.

FOTO: Diego Peres

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