Saúde investiga óbito de idoso após tomar a vacina Astrazeneca em Manaus

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Prefeitura de Manaus, por meio do Departamento de Vigilância Ambiental e Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), notificou na manhã deste sábado, 30/1, ao Centro de Referência de Imunobiológicos Especiais (Crie), órgão vinculado à Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM), a ocorrência de evento adverso grave (óbito) pós-vacinação contra a Covid-19, em um idoso de 83 anos que recebeu dose do imunizante AstraZeneca na última sexta-feira, 29/1.

A notificação segue o Protocolo de Eventos Adversos Pós-Vacinal contra o vírus SARS-CoV-2, elaborado pelo Ministério da Saúde, que contém orientações e diretrizes em farmacovigilância para serem seguidas por todo o sistema de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS). De acordo com o documento, cabe aos municípios a responsabilidade de realizar a identificação, notificação e investigação preliminar do Evento Adverso Pós-Vacinação (EAPV) em conjunto com o Estado.

O comunicado do óbito foi feito pela família do idoso ao Distrito de Saúde (Disa) Norte do município e imediatamente informado ao Crie que, juntamente com a equipe do Disa Norte, do Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde (Cievs) e do Centro de Emissão de Declaração de Óbito da Semsa, deu início aos procedimentos de notificação e coleta de dados epidemiológicos e material biológico para exames e análises.

A chefe da Divisão de Imunizações da Semsa, Isabel Hernandes, informa que a investigação do caso, conforme o protocolo nacional, será conduzida pelo Crie. Ela destaca que a notificação de qualquer evento adverso após a vacinação é medida obrigatória para todos os tipos de vacina e que não significa a existência relação de causa e efeito. “Não podemos atribuir nenhum evento adverso à vacina até que a investigação do caso esteja concluída. A notificação é feita para acompanhamento e como estratégia para avaliar a segurança das vacinas”, afirma.

A remessa de vacinas da AstraZeneca/Oxford foi enviada ao Amazonas pelo Ministério da Saúde, sendo repassado ao município de Manaus um total 74.140 doses, das quais 50.398 destinadas especificamente à vacinação de 100% dos idosos de 80 anos e mais, 100% dos idosos de 75 a 79 anos e 37% dos idosos de 70 a 74 anos (acamados, os portadores de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica –DPOC-, Insuficiência Renal Crônica, diabetes -insulina dependente- e os que têm obesidade -IMC >40-, além dos transplantados e imunossuprimidos).

É segura

O diretor-presidente em exercício da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM), Cristiano Fernandes, afirmou neste domingo (31/01) que todas as vacinas contra o novo coronavírus em uso no País, incluindo a AstraZeneca, seguem critérios rigorosos de qualidade e tiveram sua eficácia e segurança atestadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A FVS-AM reforça a importância da imunização no combate à Covid-19, sobretudo para a população idosa, mais vulnerável às complicações da doença. Além da Anvisa, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA, na sigla em inglês) também aprovou o uso da AstraZeneca inclusive para idosos acima de 65 anos. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) também se manifestou sobre a segurança desse imunizante contra a Covid-19 na população idosa.

Evento adverso

A FVS-AM esclarece que o caso de óbito de um idoso, notificado pela Secretaria Municipal de Saúde de Manaus (Semsa) no sábado (30/01) como evento adverso após a vacinação com a AstraZeneca, está sendo investigado pelo Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais (Crie), da FVS em parceria com a Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD).

A investigação segue protocolo estabelecido pelo Ministério da Saúde (MS) no Plano Nacional de Imunização (PNI), em acordo com a Organização Panamericana de Saúde (OPAs) e a Organização Mundial de Saúde (OMS), explica Solange Dourado de Andrade, infectologista responsável pela investigação de eventos pós-vacinais do Crie e também integrante do Comitê Interinstitucional de Farmacovigilância de Vacinas e outros Imunobiológicos (Cifavi), do MS.

“Quando há um evento adverso o Crie investiga seguindo protocolos pré-estabelecidos. Neste caso específico notificado pela Semsa já iniciamos as investigações, com exames, coleta da história do paciente, preenchimento de questionários e outras análises”, afirmou Solange.

A infectologista disse, ainda, que pelo fato do idoso que veio a óbito fazer parte de uma faixa etária em que é mais comum a existência de comorbidades, de riscos inerentes à idade, é preciso investigar a causalidade do evento.

A previsão é que o laudo definitivo da necrópsia realizada no idoso, com autorização da família dele, fique pronto em 30 dias. Solange Andrade afirma, no entanto, que a população não deve temer o uso da vacina, que já tem comprovada a sua eficácia, segurança e imunogeneicidade, que é a capacidade da vacina estimular o sistema imunológico a produzir anticorpos. “Certamente a vacinação tem um impacto muito importante na proteção dos idosos contra a Covid. Por isso é importante que confiem na eficácia da vacina, já comprovada inclusive pela agência reguladora europeia”, disse Solange.

MS foi notificado

A FVS-AM informa que notificou o evento, no sábado (30/01), ao Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde (Cievs), do Ministério da Saúde.

A Fundação explica que todas as secretarias municipais de saúde são orientadas, por meio da Nota Técnica nº 7, para que notifiquem de imediato a ocorrência de Eventos Adversos Pós-Vacinação (EAPV).

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