Presente de grego ou herança maldita?

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Alecrim ( Rosmarinus oficinalis) planta originária do Mediterrâneo, de uso medicinal como diurética, antioxidante e anti-reumática, apresentada quase sempre em forma de infusão ou em pomadas, e na culinária, como tempero aromático.
Não pensem os leitores que vim aqui tratar de de botânica ou temperos!
Entretanto como o alecrim tem lá seus usos na saúde, até como anti depressivo, vamos tratar de saúde pública no nosso estado que tem, na figura do ex secretário(quase eterno), o sobrenome desse vegetal largamente utilizado na cura de determinadas doenças.
Eu conheço razoavelmente o Doutor Alecrim, contemporâneos que fomos quando atuávamos enquanto gestores eu, na Fundação Alfredo da Matta e ele, na FMT.
Politicamente ambicioso e, como gestor, centralizador e homem de gabinetes, o ex secretário sempre esteve perto do poder ora como gestor, ora como homem de partidos políticos, assim no plural mesmo, aproveitando-se sempre da luz, como o girassol que se contorce em busca da melhor oportunidade para girar buscando  o astro rei.
Ardiloso no trato de assuntos políticos e afável com os governantes, o ex secretário nunca respeitava os acordos administrativos e orçamentários comuns às fundações de saúde e, por trás dos bastidores, sempre mendigava um plus para sua instituição. Assim agia o ex secretário!
Faço essa introdução apenas para linkar sua recente exoneração da SUSAM, com a situação em que se encontra a saúde pública estadual e tentar elencar os motivos que levaram o ex secretário, homem que adora os rituais do poder, a entregar os pontos.
Gerir uma secretária complexa como a da saúde com orçamento e dinheiro é uma coisa, administrá-la em tempos de vacas magras é somente para os fortes.
Inteligente e sagaz como é, o ex secretário nem esperou que a situação saísse da enfermaria para a UTI por conta da crise que se inicia e jogou a toalha, alardeando entre outras justificativas os cortes orçamentários na pasta. Então tá!
 Seu intento, era sair por cima e deixar o abacaxi ser descascado por outro.
E que herança deixa o ex secretário para seu substituto?
Aí amigos vamos tentar descascar esse abacaxi, pontuando algumas situações que nos parecem sintomáticas e que convergem na direção de um rumo nada promissor para a saúde pública no nosso estado.
A SUSAM, pelos seus aspectos administrativos e orçamentários, foi equivocada e intencionalmente transformada num órgão centralizador, paquidérmico do ponto de vista do seu organograma e seu quadro funcional e que age como um buraco negro a sugar as demais estruturas (aí incluídas as sete fundações de saúde)  que embora possuam autonomia administrativa e financeira, seus dirigentes não fazem absolutamente nada sem um despacho ou aval do secretário.
Os estatutos das fundações de saúde falam de “vinculação ao gabinete do secretário” e não subordinação como funciona na prática, o que faz de cada presidente dessas autarquias eternos pedintes e carregadores de pires pelos corredores da secretaria mãe. E isso também se repete para todas as grande unidades de saúde do estado (urgência e emergência, policlínicas, unidades  mistas do interior) estas sim subordinadas à SUSAM.
A quem interessa que isso se sustente? Perguntem ao ex secretário.
No aspecto técnico vá lá que seja! Até que essas unidades, cada uma no seu quadrado, executam suas atividades ainda que às duras penas (pois sem grana nada podeis fazer) posto que o tutu fica trancado num tal Fundo Estadual de Saúde sob o olhar atento e faiscante do titular da pasta e de lá só sai com sua liberação.
É muito poder administrativo, orçamentário e financeiro para uma só autoridade não acham?
Pois é isto que deve preocupar e incomodar o atual secretário de saúde.
O polvo em que se transformou a SUSAM com seus tentáculos a sufocar suas unidades vinculadas e subordinadas, está longe de se espelhar em modelos modernos de gestão visto que ao menor sinal de retração na economia com mais desempregados sem seus planos de saúde e que migram obrigatoriamente para a saúde pública; com menos orçamento e dinheiro, reduzindo os investimentos e avanços técnicos e tecnológicos e, como menos servidores por conta das aposentadorias e sem a reposição por meio dos concursos, exige-se alguém sobretudo  com muita criatividade, humildade, talento e tino de bom negociador, virtudes as quais passavam ao largo do ex secretário.
Não conheço o novo titular da SUSAM portanto, não cometeria o desatino de avaliar seus dotes como gestor público, entretanto não me furto à oportunidade de, enquanto servidor e ex gestor da instituição decana da saúde no nosso estado, de emitir opinião ou contribuir com algo que possa ser útil no desempenho da sua gestão que espero duradoura e tranquila:
1. Assessore-se de técnicos comprometidos com a causa da saúde;
2. Ouça mais os diretores presidentes das fundações de saúde. Dê a essas autarquias a verdadeira autonomia administrativa, orçamentária e financeira para que atuem mais e melhor nas especialidades para as quais foram concebidas afinal, foram criadas para serem o braço do estado onde a SUSAM não atua e nem alcança;
3. Seja mais flexível e equânime na liberação dos recursos humanos, orçamentários e financeiros da saúde. Lembre-se que a SUSAM não é a saúde e que saúde não se faz somente por meio da SUSAM;
4. Saia do gabinete e visite todas as unidades vinculadas e subordinadas;
5. Fuja das nomeações de gestores das unidades por apadrinhamento político. Isto é um cancro!
6. Imponha controle rigoroso sobre todos os profissionais plantonistas das cooperativas e das entidades terceirizadas. Há um ralo aí presente a sugar a grana da saúde;
7. Não se preocupe em deixar marcas por meio de elaboração projetos ou implantação de serviços mirabolantes. Lembre-se que o povo precisa nesse momento é de que o que já existe apenas funcione e funcione melhor;
8. Não permita que a vaidade e a soberba obnubilem sua mente, seu coração ou sua visão;
9. Aprofunde-se no papel do Conselho Estadual de Saúde e transforme esse organismo de controle da sociedade em um órgão com autonomia e com menos politicagem.
10. Não deixe prosperar o abandono do interior do estado e sua sofrida população pois a realidade  é muito diferente da propagada.
  E se ao final se sentir cansado, abandonado, sem razão para continuar ou se algo sair errado, não se desespere e pense que um bom chá de alecrim é indicado também como relaxante e até para depressão. Té logo!

Sds Ronaldo Derzy Amazonas

Ronaldo Amazonas, ex-diretor da Fundação Alfredo da Matta, um dos mais polêmicos ativistas da internet. Escreve sobre o que lhe vier à cabeça, sempre com uma pegada forte e opiniões muito próprias.

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