Novidade na esquerda: Marcelo Ramos se filia ao PT e anuncia tentativa de composição com pré-candidatos para disputar a Prefeitura de Manaus por frente de esquerda

O ex-deputado federal Marcelo Ramos, que disputou a última eleição pelo PSD, anunciou ontem em seus perfis nas redes sociais que recebeu, e aceitou, convite do presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT) e da presidente nacional do PT, deputada Gleisi Hoffmann, para se filiar à legenda e ser candidato à Prefeitura de Manaus. Ele já havia disputado o cargo em 2016, curiosamente pelo extinto Partido da República (PR), que deu origem ao Partido Liberal (PL), que hoje serve de à extrema direita, comandada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, de quem o político é hoje um dos principais opositores no Amazonas.

Ramos distribuiu elogios a todas as principais lideranças de esquerda do Estado em sua postagem. Anunciou que vai procurar o deputado Sinésio Campos, presidente regional do PT, a quem chama de “maior líder popular progressista do Amazonas” e o presidente municipal, Valdemir Santana, “líder histórico dos trabalhadores”. Também disse que vai procurar todos os pré-candidatos já anunciados na esquerda. “Anne Moura tem uma bonita trajetória na construção do PT e luta pelos direitos das mulheres; Sassá da Construção Civil é um vereador comprometido com a luta dos trabalhadores. Borges é uma liderança com relevantes serviços prestados ao PT. Eron Bezerra tem uma vida marcada pela luta democrática e progressista”, disse ele, referindo-se aos possíveis concorrentes.

O ex-deputado também anunciou conversas com Zé Ricardo, Vanessa Grazziotin e João Pedro, “ue não são pré-candidatos a prefeito mas tem relevantíssimo papel na construção de uma candidatura progressista e de esquerda em Manaus”. Também citou o deputado Carlinhos Bessa, que comanda o PV no Amazonas, e incluiu “a aguerrida e combativa militância do PT e do PCdoB”.

“Só após construir com todos eles teremos uma posição definitiva sobre candidatura”, disse Ramos, que foi além: “Unificada a Federação, vamos dialogar com a Federação Rede/Psol, o PDT e o PSB, respeitando a independência de cada partido, mas mostrando a importância de unidade das esquerdas nessa eleição para defender a democracia, os direitos sociais, o legado do governo Lula, que sempre só fez o bem para Manaus”, concluiu.

Trajetória

O possível candidato a prefeito pelo PT tem uma longa trajetória na política amazonense, aos 50 anos de idade. Antes de assumir seu primeiro mandato como vereador, em fevereiro de 2007, Marcelo Ramos exerceu os cargos de subsecretário municipal de Esportes de Manaus entre 2005 e 2006 sob a gestão do prefeito Serafim Corrêa (PSB) e Chefe de Gabinete do Departamento de Relações Internacionais do Ministério do Esporte no governo Lula em 2006, sob o comando de Orlando Silva.

A primeira tentativa de exercer mandato havia ocorrido no ano 2000, quando se candidatou a vereador pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB). Não conseguiu se eleger, assim como ocorreu em 2004, quando ficou como primeiro suplente da coligação PT-PCdoB. Suplente de Francisco Praciano, foi efetivado vereador de Manaus com a posse deste como deputado federal em fevereiro de 2007. No ano seguinte foi reeleito.

Em 2010, já filiado ao Partido Socialista Brasileiro (PSB), foi eleito deputado estadual. Quatro anos depois concorreu ao governo do Amazonas e ficou em terceiro lugar, sendo decisivo no segundo turno para a vitória do então governador José Melo, a quem apoiou. Nas eleições de 2016, Marcelo Ramos se candidatou a prefeito de Manaus pelo Partido da República (PR). No primeiro turno, obteve 257 698 (24,86% dos votos válidos) enfrentando Arthur Virgílio Neto (PSDB). No segundo turno, obteve 457 807 (44,04% dos votos válidos), perdendo para o prefeito reeleito.

Em 2017 voltou a disputar o Governo do Estado em eleição suplementar devido à cassação de José Melo. Naquele eleição foi vice na chapa encabeçada por Eduardo Braga (MDB), que chegou ao segundo turno, mas acabou derrotada por Amazonino Mendes.

Em 2018 Ramos foi eleito deputado federal pelo Amazonas pelo Partido Liberal (PL), sendo eleito ainda neste primeiro mandato como primeiro vice-presidente da Câmara dos Deputados do Brasil, em 2021. Em 23 de maio de 2022, foi destituido por Arthur Lira (Progressistas) da vice-presidência. Segundo Lira, o afastamento foi estritamente regimental em função da troca de partido pelo deputado e que só foi publicada depois que o ministro do TSE Alexandre de Moraes revogou uma liminar que havia concedido e que mantinha Ramos no cargo.

Ramos não conseguiu retornar à Câmara dos Deputados em 2022, ficando como primeiro suplente do PSD, partido ao qual estava filiado até ontem.

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