Movimentação do Estado mostra que a “terceira onda” da Covid-19 é tratada como muito possível

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O tema da reunião do governador Wilson Lima (PSC) com representantes da empresa White Martins, fornecedora de oxigênio ao Estado, e a movimentação da Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) para implementar o máximo de usinas para gerar o gás no interior indicam claramente que o Governo está trabalhando seriamente com um possível novo pico da pandemia de Covid-19 no Amazonas. E não é por causa das flexibilizações, que para as autoridades foram necessárias para não asfixiar a economia, e sim por causa do que está acontecendo em outros países, especialmente na Europa.

No encontro com representantes da fornecedora, realizado de forma virtual, Wilson Lima afirmou que o avanço da vacinação contra a Covid-19 é a principal esperança de que a situação não volte a agravar, mas destacou que o Estado já elabora um plano de contingência, caso o Amazonas siga a tendência observada em outros países, como da Europa, que vivem uma terceira onda da pandemia.

Nos países europeus, o intervalo entre a segunda e terceira onda foi entre 50 e 21 dias. De acordo com a SES-AM, no segundo pico no Amazonas, em janeiro deste ano, o número de casos subiu gradativamente durante 21 dias e foram necessários 40 dias para desacelerar. Os indicadores estaduais continuam sendo monitorados e ainda mostram tendência de queda no número de casos, internações e óbitos por Covid-19.

Plano de Contingência

Embora o cenário seja de redução na curva da pandemia no Amazonas, a SES-AM já trabalha no plano de contingência caso o estado venha a enfrentar um novo pico. Entre as medidas em planejamento está o abastecimento de oxigênio, insumo muito demandado nas internações hospitalares devido às peculiaridades da Covid-19.

De acordo com a White Martins, a produção da empresa no Amazonas, hoje, é de 36 mil metros cúbicos (m³) por dia, em média. Já o consumo da rede estadual de saúde está de 17 mil m³/dia. No segundo pico da pandemia no estado, a demanda chegou a 80 mil m³ para atender toda a rede, na capital e interior. Os representantes da White Martins informaram, ainda, que a capacidade atual de armazenamento em Manaus é de 250 mil metros cúbicos.

Variante P1

Durante a reunião, o secretário estadual de Saúde, Marcellus Campêlo, lembrou que a nova variante do novo coronavírus, batizada de P1, foi um dos fatores que levaram ao crescimento recorde e inesperado de casos e internações por Covid-19, em um curto período de tempo no Amazonas, comprometendo todo o planejamento traçado no Plano de Contingência para o Recrudescimento da doença, que vinha sendo colocado em prática desde novembro do ano passado.

Marcellus Campêlo destacou que, no ano passado, vários especialistas apontavam que os impactos da segunda onda seriam menores e, mesmo assim, o Estado se preparou para um cenário com os mesmos parâmetros do primeiro pico da doença.  Porém, o Estado foi surpreendido com o grande poder de transmissibilidade da variante P1.

Usinas no interior

Dar autonomia na geração do gás medicinal às unidades de saúde do interior, onde o desafio logístico de transporte de Manaus para os municípios é maior, é a meta do Governo do Amazonas. Pensando em aumentar a autonomia dos hospitais com relação a esse insumo, principalmente nos municípios, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) concentra esforços agora para adquirir mais 29 usinas.

Da capacidade total de produção de oxigênio por usinas no estado, que hoje chega a 16.344 metros cúbicos (m³), 10.176 m³ podem ser gerados nas usinas já instaladas em unidades de saúde do interior do Amazonas.

Três usinas novas foram adquiridas na semana passada, com os recursos empenhados, e a entrega dos equipamentos pelos fornecedores está sendo aguardada. Duas usinas têm capacidade de 13m³/hora e uma tem capacidade de 17m³/hora.

No dia 25 de março, o Centro de Serviços Compartilhados (CSC-AM) realizou um pregão para aquisição de mais nove usinas para o interior.

Por divergências entre o valor cobrado pelas empresas interessadas no negócio e o orçado pela SES-AM, não houve vencedor. A secretaria segue buscando novos interessados em vender os equipamentos para o Estado.

A produção autônoma de oxigênio no interior tem sido um diferencial que permitiu o Amazonas superar a crise de desabastecimento de oxigênio vivida em janeiro, ressalta o secretário de Saúde, Marcellus Campêlo.

“As usinas foram instaladas no interior com o objetivo de dar autossuficiência a esses municípios”, lembra o secretário.

Onde há usinas

No interior, há 25 usinas em operação em 20 municípios: Alvarães, Apuí, Autazes, Barcelos, Carauari, Careiro, Coari, Eirunepé, Humaitá, Itacoatiara (3 usinas), Lábrea, Manacapuru, Maués (2), Nova Olinda do Norte, Parintins (3), Santo Antônio do Içá, Tabatinga, Tapauá, Tefé e Urucará.

Em Manaus, há 13 usinas em operação: no Hospital Geraldo da Rocha, Fundação Cecon, Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), Hospital Beneficente Português, Hospital Delphina Aziz (2 usinas), Hospital Francisca Mendes, Hospital e Pronto-Socorro João Lúcio, Instituto da Criança do Amazonas (Icam), Maternidade Azilda Marreiro, Hospital Adventista (2).

FOTO: Diego Peres

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Este post tem um comentário

  1. Sérgio Barboza da Fonseca Junior

    Boa a matéria
    Uma curiosidade
    O Pronto-socorro 28 de agosto não está na relação de usinas próprias. Qual o motivo? Já que a demanda de atendimento é alto.

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