Meu amigo Paulo “Bomba”

Por Hiel Levy*

Recebi hoje, com muita tristeza, a notícia do passamento de meu amigo Paulo Ricardo Oliveira, jornalista que muitas vezes produziu postagens exclusivas, especialmente sobre o mundo das lutas, para este blog.

Foi um dos poucos amigos de verdade que fiz na profissão.

Conheci o Paulo em 1999, quando dirigia a redação do Diário do Amazonas. Ele estava começando na carreira e pediu a chance de cobrir Política, área pela qual era apaixonado.

A cada texto que produzia, sentava no meu lado e pedia que eu avaliasse. Foi assim uma centena de vezes, até que deixei a redação para trabalhar em uma campanha política.

Era musculoso, vaidoso, gostava de malhar e usava roupas coladas, para ressaltar a musculatura. Por isso, logo o apelidamos de Paulo “Bomba”. Ele não gostava da alcunha, mas levava no bom humor. Até em nossos últimos contatos eu o chamava assim e ele me olhava com o canto do olho, um sorrisinho maroto no canto da boca, como se dissesse “não te dou uma porrada porque és meu amigo”.

Acompanhei depois os passos dele na profissão, especialmente quando comandou uma coluna sobre lutas no caderno Craque, do jornal A Crítica.  Foi, na minha opinião, seu melhor momento na carreira. Fez muito sucesso.

Em 2006, ele trabalhou comigo na campanha de reeleição do então governador Eduardo Braga. Cinco anos depois, em 2011, aceitou meu convite para ser gerente de Jornalismo da Câmara Municipal de Manaus, quando assumi a Diretoria de Comunicação da Casa.

Sempre teve um senso crítico apurado, um senso de humor cortante e aquela desconfiança nata, que caracteriza os bons jornalistas. Às vezes me fazia perguntas que eu não podia responder e logo em seguida soltava uma gargalhada e pegava no meu braço, mostrando que entendia a situação.

Aquietou-se ao encontrar a Mary, sua companheira dos últimos anos e mãe do Paulinho, o caçula, sua paixão. A primogênita, Sarah, também muito amada, não vivia com ele.

Foi com a esposa a São Paulo tentar a vida num novo mercado e estudar marketing, sua paixão.

Nos falamos a última vez há dois meses. Tinha operado o tumor no cérebro em Botucatu e estava esperançoso. Pediu para me mandar um texto sobre o médium que conhecera e com quem se tratara espiritualmente pouco tempo antes. Apesar de não concordar com a doutrina espírita, eu publicaria o que me mandasse, em homenagem a ele. Não chegou a produzir o último freela.

Falava com dificuldade nos últimos dias. Morreu novo demais, com 45 anos.

Vou sentir saudades.

P.S – A família pede ajuda para trazer o corpo a Manaus e prestar aqui as últimas homenagens ao Paulo. Quem puder ajudar pode depositar qualquer quantia no Banco do Brasil, agência 5096-2, conta 5927-7, CPF 17658456888

*Editor do blog

 

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Este post tem 2 comentários

  1. Sérgio B da Fonseca Jr

    Bom escritor vc é HIEL LEVY,
    ao descorrer sobre o Paulo.
    Que Deus o tenha

  2. Nira Silva

    Linda homenagem ! Que Deus o tenha

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