Marcelo Ramos diz que “gente sofrida” o derrotou. E Cirilo Anunciação recomenda humildade

O ex-deputado Marcelo Ramos, candidato derrotado ao governo e à Prefreitura de Manaus nas duas últimas eleições, quebrou o silêncio sobre a disputa de 2016 e divulgou texto ontem, via whatsapp, direcionado ao que ele chamou de “companheiros de caminhada”. Ele usou citação da lenda inglesa Winston Churchill para recomendar que não culpassem “essa gente sofrida” por sua derrota, ao mesmo tempo culpando-os pelo insucesso. Ainda arrogante, ele se coloca como protagonista da política local. Recebeu como resposta um texto – “Churchill na terra de Ajuricaba” – do coordenador geral da campanha de Arthur Neto, empresário Cirilo Anunciação, exortando-o à humildade.

Confira primeiro o texto de Marcelo Ramos:

“Aos meus companheiros de caminhada

Depois de uma derrota eleitoral é sempre bom calar por um tempo. Não permitir que as frustrações da derrota façam julgamentos precipitados ou enviem mensagens de desesperança.

Os maiores homens da história só foram grandes porque perderam. Não conheço um grande que não tenha conhecido a derrota.

Sempre resgato o sábio chinês Mencius:

“Quando o céu está prestes a confiar uma grande missão a um homem, primeiro exercita sua mente com sofrimento, e seus nervos e ossos com fadiga. Expõe seu corpo à fome e o sujeita à extrema miséria. Confunde suas tarefas. Dessa maneira, estimula seu espírito, fortalece a sua natureza e supre as suas deficiências”.

Tenho me fortalecido com a leitura e encontrei na biografia de Churchill inspiração para essa mensagem aos companheiros que comigo lutaram e que, sei, aguardam uma mensagem sobre o futuro.

Seria ousadia dizer que completamos uma travessia, como Churchill, mas estamos caminhando e a caminhada é sempre mais importante que o destino.

Churchill encarou muitas derrotas e foi tido como fracassado antes de se afirmar como a figura mais importante na resistência ao nazismo.

Inusitado que tenha sido mais uma vez derrotado na primeira eleição após o fim da Segunda Guerra onde teve papel fundamental e se projetou como líder mundial.

Certas vez, quando seus aliados tentavam culpar o povo pela derrota eleitoral, afirmou: “Eles não têm culpa, essa gente está tão sofrida”.

É assim, amigos. Esse gente sofrida não pode ser culpada. Nós apenas devemos persistir. Sem perder a nossa pureza de propósitos, sem desviar do caminho, sem nos afastar do desejo de praticar o bem.

Passados dois meses da eleição, iniciado um novo ano, essa é mais que uma mensagem, é um chamado pro recomeço. 2017 será o ano de fortalecer o nosso projeto e preparar para 2018.

Claro que é precipitado falar de qualquer questão eleitoral, mas precisamos ter ciência e reafirmar que ocupamos um espaço de protagonista nesse processo e é como tal que vamos agir.

Nosso resultado eleitoral, muito perto da vitória, foi fruto de um trabalho braçal no final de 2015 e nos primeiros meses de 2016.

É hora de recomeçar esse trabalho. Já não partimos de 180 mil votos. Partimos de quase meio milhão de votos. Isso aumenta a responsabilidade com essas pessoas que confiam em nós e a necessidade de esforço para manter acesa essa chama da esperança nos seus corações.

Amigos e companheiros. Obrigado pela confiança e dedicação. Sigamos. Juntos. Firmes. Dispostos a escrever uma nova história na política de Manaus e do Amazonas.”

Agora, a resposta de Cirilo Anunciação:

“Churchill na terra de Ajuricaba

Marcelo Ramos enviou um texto para o meu celular através do WhatsApp esta semana. A mensagem tem o título “Aos meus companheiros de caminhada”. Cita o sábio chinês Mencius e a biografia do primeiro-ministro inglês, Winston Churchill, para narrar o desfecho das eleições de 2016 para prefeito de Manaus.

Ele utilizou uma frase de Churchill, quando este assinava o Tratado de Potsdam (belíssima cidade a cerca de 35 km de Berlim), que dimensionava a vitória dos aliados – EUA, Rússia e Inglaterra – sobre a Alemanha, na Segunda Guerra Mundial. Ao ser informado que, mesmo liderando a grande coalizão que derrotou Hitler, o povo inglês, exausto após a maior guerra de todos os tempos, o tinha preterido nas urnas, o velho líder disse: “Eles não têm culpa. Essa gente está tão sofrida!”.

Socorro-me humildemente do mesmo Winston Churchill para oferecer uma opinião contrária à exposta por Marcelo Ramos sobre sua última derrota eleitoral em Manaus. “É preciso ter coragem para se levantar e falar, mas também é preciso coragem para sentar e escutar”, dizia o sábio líder inglês.

Marcelo, perdeste a eleição justamente pelo fato do povo manauara não estar em sofreguidão. Aliás, perdeste em todas as zonas eleitorais da capital amazonense por causa de duas verdades incontestáveis: Manaus estava satisfeita com a gestão de Arthur Neto e, mais simples ainda, os eleitores, ao analisar suas propostas, acharam que a reeleição do prefeito seria melhor para suas vidas do que entregar o comando da cidade a você e ao grupo político do qual fazes parte.

Coordenei, com muito orgulho, o segundo turno da vitoriosa reeleição de Arthur Neto. Manaus reelegeu novamente um prefeito depois de dezesseis anos. Vencemos porque a população conhecia e ACREDITOU em nossas propostas. Vencemos porque Arthur mostrou ser um candidato real, apoiado em seus 38 anos de vida pública, com a verdade ao seu lado.

O prefeito explicou cada ação tomada no comando da prefeitura e não deixou nenhum ataque sem resposta. Começou explicando o porquê aliou-se ao PMDB do senador Eduardo Braga, após anos de intensa discordância política. Todos nós, do PSDB (sim, sou filiado ao partido), discordamos bastante de Braga nos últimos anos. Entretanto, o acordo feito às claras pelas duas maiores e até então antagônicas lideranças do Amazonas, pragmaticamente, era positivo.

Hoje , todos concordam que os resultados desta união – mais R$ 150 milhões para o asfaltamento do Distrito Industrial, inúmeras emendas que beneficiarão Manaus e outros repasses de recursos sem ônus para nossa cidade enfrentar a maior crise econômica da história – foram rapidamente comprovados.

Manaus foi reinserida em Brasília, com a influência de Arthur reeleito, Braga relator do orçamento da União de 2017 e o apoio do presidente Michel Temer, também do PMDB.

Totalmente diferente da sua campanha Marcelo, que só queria o bônus de José Melo, sem aceitar o ônus do governo mais rejeitado da recente história política do Amazonas. O eleitor percebeu e não aceitou o seu argumento de que, mesmo o partido do governador – PROS – estando em sua aliança, Melo não o apoiava.

Concordo com o quê afirmaste no teu texto: és um político em ascensão. Tiveste 180 mil votos em 2014 e quase meio milhão de votos em 2016, mas considere que o eleitor de hoje é altamente bem informado. Deverias começar 2017 tentando explicar aos manauaras que votaram em ti por que disseste na eleição que José Melo não te apoiava e menos de uma semana após o resultado te reuniste com ele (conforme entrevista dele ao radialista Ronaldo Tiradentes, em 13 de dezembro de 2016). Explica ainda por que, cinquenta dias após a eleição, tu o acompanhavas com todas as pompas em inaugurações de seu governo ( http://neutoncorrea.com.br/2016/12/20/ministro-sente-em-manaus-a-tensao-entre-melo-e-arthur/).

Seria um excelente, e humilde, recomeço!”

 

Qual Sua Opinião? Comente:

Este post tem 2 comentários

  1. Guerreira

    O sr. Anunciação que quer sócio do governo do estado do Amazonas de qualquer maneira e que foi é o maior beneficiário da prefeitura de Manaus este sim não deveria falar nada. Pois de qualquer maneira 50% da população manauara não está satisfeita com o governo do prefeito Arthur. A polícia federal deveria fazer uma perícia em todas as baterias das urnas eletrônicas. Pois não conheço até hoje que votou no Arthur.

    1. Hiel levy

      Apenas uma observação do blog: quem está envolvido na situação com o governo é o irmão do Cirilo, Cyro Anunciação. Os dois não são sócios. Quanto ao número da rejeição do prefeito, sugiro à leitora fazer uma revisão dos números da última eleição.

Deixe uma resposta