Depois que o advogado e ex-deputado Marcelo Ramos (PT) divulgou um vídeo em que colocou o “dedo na ferida” do maior preço de combustíveis praticado no Brasil (o do Amazonas), o grupo Atem, que comprou a Refinaria Isaac Sabá, de Manaus, no governo de Jair Bolsonaro (PL), soltou uma nota em que, ao invés de explicar, acaba se complicando ainda mais, tentando dividir a culpa pelos valores absurdos que pratica com a Petrobras e as demais distribuidoras. E não explica por que sua margem de lucro acaba sendo mais que o dobro da média nacional.
No cerne da questão está a interrupção do refino em Manaus. O petróleo que sai de Urucu hoje, por exemplo, está sendo refinado em São Paulo, o que encarece o custo do combustível.
Ramos gravou novo vídeo ontem, contestando a nota divulgada pelo grupo Atem. E mais uma vez colocou o conglomerado empresarial contra a parede. Veja:
Agora perceba que a nota da Atem, que reproduzimos aqui na íntegra, mais confunde que explica:
“A Refinaria da Amazônia (Ream) esclarece que não define os preços dos combustíveis no Amazonas. Embora tenha capacidade para atender plenamente a demanda regional, hoje a Ream responde por cerca de 30% do suprimento. Essa participação não decorre de decisão da refinaria, mas sim da escolha das distribuidoras com a alternativa da importação direta de derivados ou outras formas de aquisição no mercado. Assim, os preços finais ao consumidor refletem fatores de mercado — como custos de importação, tributos, logística e margens aplicadas por distribuidoras e postos revendedores — e não são determinados pela refinaria.
Sobre o GLP (gás de cozinha) é importante destacar que a Ream não comercializa o produto, sua atuação se limita exclusivamente ao recebimento e armazenamento do produto para entrega às distribuidoras, sem qualquer influência sobre preços ou condições de venda.
A Ream tem total interesse em adquirir o petróleo produzido em Urucu para fortalecer o abastecimento regional. No entanto, o insumo não é ofertado a preços que viabilizem essa alternativa. Em vez de atender a refinaria local, o produto é escoado para fora da região norte, ainda que isso represente prejuízo logístico e econômico. Trata-se de uma decisão que contraria a lógica de eficiência, pois seria natural priorizar o fornecimento à refinaria instalada no Amazonas. Diante desse cenário, a importação de derivados acaba se mostrando, de forma concreta, a opção mais viável para garantir o abastecimento.
A redução temporária da produção em 2024 decorreu de manutenção programada para modernização da refinaria, construída na década de 1950. O processo foi devidamente comunicado e acompanhado por todos os órgãos reguladores competentes. Mesmo nesse período – e em meio à estiagem histórica de 2023 e 2024 – a unidade manteve o abastecimento regular do mercado, sem qualquer interrupção.
Desde sua aquisição, o Grupo Atem já investiu mais de R$ 400 milhões em melhorias estruturais, com foco em segurança operacional, eficiência energética e modernização de processos. A refinaria está apta a operar de forma contínua, ajustando sua produção conforme a demanda.
O Grupo Atem reafirma seu compromisso com o desenvolvimento da Amazônia, a geração de empregos, o fortalecimento da cadeia produtiva local e o fornecimento seguro, transparente e sustentável de combustíveis para a região.”
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