Irmãos Oliveira: democracia a serviço dos trabalhadores do transporte

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Você com certeza já ouviu falar dos irmãos Oliveira. E provavelmente ouviu falar muito mal. A mídia os trata como agitadores, que não pensam duas vezes para parar a categoria dos motoristas e cobradores ora reivindicando melhorias salariais ou simplesmente marcando posição política.

No início de fevereiro o empresário César Teixeira os acusou de cobrar R$ 120 mil por mês para não fazerem greve em sua empresa, a Líder, cujos trabalhadores haviam parado reivindicando direitos. O cidadão disse que tinha como provar e o prefeito Artur Neto considerou a denúncia grave, passível de investigação pelo Ministério Público. De lá prá cá, entretanto, reinou o mais absoluto silêncio de todas as partes.

Pois bem. Neste momento nada menos que três chapas tentam tirar os irmãos Oliveira da direção do Sindicato. A eleição ocorre na próxima quarta-feira, 27. A motorista Carla Núbia encabeça uma das chapas. Sua candidatura é organizada pela Força Sindical, à frente o sindicalista Vicente Filizzola, que é subsecretário de Trabalho da Prefeitura. Deduz-se, então, que ela tem o apoio do prefeito, certo?

Os outros dois candidatos têm fortes ligações com empresários do setor.

É o caso, então, de pensar: se todas as forças antagônicas aos trabalhadores estão apoiando outras chapas, os irmãos Oliveira devem incomodá-las. Se as incomodam, é porque trabalham pelos colegas. Só pode.

De fato, se observarmos como eram tratados os trabalhadores antes e depois da posse dos irmãos Oliveira no Sindicato, há uma diferença brutal. Eles conseguiram muitos avanços, principalmente no que diz respeito ao pagamento de horas extras, um direito simbólico para esta categoria, já que, historicamente, os motoristas e cobradores sempre foram vilipendiados e explorados. Os empresários do setor são conhecidos pelos métodos nada democráticos, há muito tempo.

Eu quase nunca ando de ônibus. Tenho certeza de que a maioria dos meus leitores faz o mesmo. Nós, então, temos a tendência de condenar lideranças sindicais como os irmãos Oliveira, toda vez que eles comandam uma paralização e tumultuam a cidade. Se nos colocarmos no lugar destes trabalhadores, entretanto, vamos mudar radicalmente nossa visão destes sindicalistas. Eles são, na verdade, combatentes de uma causa. E incomodam tanto que têm tantos contra eles neste pleito.

Detalhe: mesmo sendo considerados truculentos, eles convocaram a eleição, dando amplo espaço para a “oposição”, sem limitar o registro de chapas e divulgando amplamente o pleito, como manda a lei.

Supresa! Os irmãos Oliveira são democratas. Sim, surpresa para nós, que os acompanhamos pela mídia. Para os trabalhadores, são quase ídolos. Alguém aí lembrou de uma certa história ocorrida nos anos 70 em São Bernardo, São Paulo?

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