Uma guerra interna está em andamento na facção criminosa Família do Norte. Os três principais líderes dela entraram em rota de colisão e isso resultou na morte, hoje, do traficante Janderson Araújo da Silva, o “Boca Rica”, e de outros detentos na Unidade Prisional do Puraquequara, na zona Leste de Manaus. Pouco antes do acontecimento, o secretário estadual de Administração Penitenciária, tenente-coronel PM Cleitman Rabelo, afirmou, em audiência pública na Câmara Municipal de Manaus, que a situação dos presídios do Amazonas ainda é tensa e as unidades prisionais recebem monitoramento permanente contra novas rebeliões e fugas.
Os líderes da FDN – José Roberto Barbosa, o Zé Roberto da Compensa; João Pinto Carioca, o João Branco, e Gelson Carnaúba – entraram em rota de colisão. As últimas mortes de traficantes nos bairros de Manaus já fazem parte do conflito entre eles, e não mais com o Primeiro Comando da Capital, o PCC.
Com a FDN dividida, a tendência é que novos conflitos como o que ocorreu hopje na Unidade Prisional do Puraquequara. O número de mortos pode chegar a 11.
Durante a audiência pública, o secretário da Seap, Cleitman Rabelo, informou que três principais medidas foram adotadas para prevenir novas rebeliões e fugas de dentro dos presídios do Amazonas, como o reforço da parceria com a Justiça para as audiências de custódia, separação de presos que pertencem a facções rivais e o aumento das revistas nas celas. “Apesar dos nossos esforços, a situação dos presídios ainda é tensa e trabalhamos com monitoramento permanente”.
O secretário de Segurança, Sérgio Fontes, disse que as rebeliões também estão ligadas à insatisfação dos líderes de facções com o volume de prisões de traficantes, apreensões de drogas e de armamentos, registradas no ano passado. “Nenhum líder de facção fica satisfeito em ver que a Polícia está agindo contra sua organização na apreensão de drogas e prisão de quem trabalha para ele”, declarou.
Superlotação
Fontes disse, ainda, que a rebelião nos presídios tem também ligação com o aumento das prisões registradas em 2016. “Foram 8.740 prisões em flagrante e 1.340 mandados de prisão cumpridos em 2016, somando 10.528 presos, um número bem maior que o ano anterior. Houve solturas por conta das audiências de custódia, mas as medidas sobrecarregaram os presídios, principalmente, da capital”, declarou.
O Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), onde ocorreu a maior rebelião deste ano, abrigava, em janeiro, quase o triplo de presos que sua capacidade, segundo a Secretaria Estadual de Administração Penitenciária. O local tinha 1.224 presos para apenas 454 vagas. “A situação do Compaj reflete a realidade do sistema prisional do estado. A população carcerária no Amazonas está com um total de 9.350 presos, 180% a mais da capacidade total dos presídios”, apontou Gedeão Amorim.
Para ele, a redução do número de detentos nas unidades prisionais só será uma realidade quando o Poder Público em todas as esferas de governo priorizar a educação como principal ferramenta de recuperação social. “O criminoso precisa cumprir sua pena, mas paralelo a isso é necessário que o Estado lhe dê perspectivas e alternativas de trabalho. A mesma ideia serve para os jovens que vivem na marginalidade e estão vulneráveis ao mundo do crime”, defendeu Gedeão Amorim.
Abaixo, a imagem do traficante assassinado e o áudio declarando a rebelião.

Compartilhe isso:
- Clique para compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp
- Clique para compartilhar no Facebook(abre em nova janela) Facebook
- Clique para compartilhar no X(abre em nova janela) 18+
- Clique para compartilhar no Telegram(abre em nova janela) Telegram
- Clique para enviar um link por e-mail para um amigo(abre em nova janela) E-mail
- Clique para imprimir(abre em nova janela) Imprimir




