Ex-diretor da Reino Unido converteu-se e agora ensina a administrar Igrejas

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O carioca Jessé de Jesus morou durante trinta anos em Manaus, entre 1984 e 2014. Nesse período, atuou como fotógrafo, foi produtor do grupo Raízes Caboclas e do Festival da Canção de Itacoatiara, criou um espaço para ensinar danças de salão e integrou a diretoria da escola de samba Reino Unido da Liberdade. Hoje mora em Brasília, voltou à Igreja Assembleia de Deus, que tinha deixado na juventude, e dedica-se à literatura focada na administração de templos e na sociabilização dos recursos arrecadados pelos pastores, já tendo lançado dois livros abordando estes assuntos.

Jesus é bacharel em administração e teologia, com pós-graduação em docência do ensino superior, finanças e controladoria. Tornou-se pastor e conferencista da Assembleia de Deus em Brasília.

“Dinheiro e religião parecem (aos olhos de alguns), como água e óleo, não se misturam! Principalmente se abordar a temática tributação. As pessoas que tiveram acesso ao conteúdo deste livro, manifestara-se surpresas com o prisma pelo qual é abordado o assunto e até mudaram seus pontos de vista”, defende ele, falando de uma de suas obras, “Administração Eclesiástica para quem precisa de administração eclesiástica”.

“Ouvi recente uma frase muito interessante: ‘Mais vale as vistas dos pontos que os pontos de vista’. Esta é a intenção da publicação: revelar vistas de pontos. O livro aborda sim a discussão sobre dinheiro e religião”, acrescenta. Jessé de Jesus aborda a administração das Igrejas do ponto de vista tributário e traz subsídio intelectual “para o leitor formar (ou reformar) juízo a respeito”.

“Tenho tido boas oportunidades de conversar com pessoas a respeito do conteúdo do livro, e a primeira indagação parece óbvia: ‘Você é a favor de tributar as igrejas? Embora o questionamento seja óbvio, as respostas (isso, no plural) não seguem esta simplicidade. Isso seria como nadar no raso. Há uma profundidade bem maior no contexto. Primeiro deve-se compreender que o tema é sobre capital religioso, o que não necessariamente se limita a dinheiro e muito menos a igrejas. Segundo se faz necessário compreender o que (ou quem) é igreja”, discursa.

O escritor mira a Reforma Tributária, assunto em pauta em quase todas as rodas de conversas, que está na ordem do dia. E cita  o Evangelho de Mateus (17: 24-47), quando é questionado sobre o pagar ou não o tributo do Templo. “Ele (Jesus) providencia de forma milagrosa (o dinheiro na boca do peixe) para o pagamento e de forma não egoísta (capitalista), sociabiliza o valor pagando o tributo por ele e por Pedro (que foi interpelado pelos cobradores e também foi pescar o tal dinheiro)”, resume.

Outra obra do escritor é “Sociabilização da Economia Eclesiástica”, em que ele debate como as Igrejas podem socializar seus ganhos. “No Brasil não há sociabilização de quase nada. A distribuição de renda é extremamente desigual, há classes privilegiadas e outras privadas dos benefícios da riqueza ou ao menos da ‘não pobreza’. No meio religioso se dá da mesma forma. A arrecadação é bastante considerável, segundo fontes governamentais, as cifras são de bilhões ao ano, porém, a redistribuição desta riqueza é a exemplo da economia formal, completamente desigual. O dinheiro acaba por não fazer o seu papel social”, afirma.

Como contraponto, segundo ele, existem instituições que são “opositoras desse modelo egoísta (e não bíblico) de concentração de riquezas típica da Teologia da prosperidade”. O escritor diz que, “sendo o papel da Igreja essencialmente missionário, é notório que há um desvio de vocação e descumprimento função pelas instituições que ao menos a representam”. Por isso, ele defende que o trabalho missionário é a forma mais eficiente de sociabilizar os recursos.

Ao abordar a administração eclesiástica, ele lembra que pastores “são formados em seminários e aprendem sobre Abraão, Moisés, Jesus, Paulo, enquanto os administradores são formados em faculdades ou cursos técnicos, aprendendo sobre Taylor, Fayol, Weber”. Segundo o escritor, há pastores com formação ou conhecimentos em administração, “porém são exceções”.

Embora a ‘personagem principal’ seja a instituição religiosa (igreja), o livro em si não tem cunho religioso, nem adentra a questões da fé. “O viés apresentado é o administrativo científico, onde além de uma apresentação sobre administração propriamente dita, o autor narra experiências reais adquiridas no exercício da profissão, e apresenta também, soluções interessantes para a gestão das organizações eclesiásticas na presente época de tecnologia.

Jessé de Jesus vai estar em Manaus entre os dias 04 a 10 de agosto e está aceitando convites para palestrar a pastores e líderes, abordando a administração eclesiástica e a socialização dos recursos das Igrejas. Contatos com ele podem ser mantidos pelo telefone (61) 9 9673-7475 (que inclui whatsapp) ou pelo email [email protected]

 

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