Empresas terão que rever o fluxo de caixa depois da pandemia, diz economista

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Mapear a estrutura dos gastos, qual o capital de giro disponível, quais as linhas de crédito existentes no mercado e, principalmente: renegociar débitos com fornecedores públicos e privados a fim de controlar o fluxo de caixa. Estas são as medidas a ser tomadas por pequenas e médias empresas que desejam manter-se no mercado no contexto pós-pandemia, tendo em vista a previsão de entradas futuras e as grandes contas.

“Dimensionar o fluxo de caixa é para as que ainda têm chance, pois sabemos que muitas irão, infelizmente, fechar. É para aquelas que têm uma verba de contingência que é regra dentro do contexto empresarial, seja para lidar com a inadimplência, com gastos fixos de final de ano como o 13º salário, entre outros. Claro que esta é uma realidade de outra magnitude; é um cenário de guerra. No entanto, ficar parado não é uma solução”, explicou o economista, publicitário e professor Marcelo Martinovich, durante o programa semanal Economia em Debate, apresentado pelo economista Jefferson Praia e pelo presidente do Conselho Regional de Economia do Amazonas, Francisco de Assis Mourão Jr.

Negociação com fornecedores, com impostos e em muitos casos chamar o sindicato do trabalhador pra fazer negociação com funcionários. “É preciso focar nas grandes contas; Não adianta, nesse momento, querer cortar o cafezinho. É economia de guerra”, completa. O segredo é focar 60% em como vender mais, usando a criatividade, e 40% em cortar custos.

Para Martinovich, que possui 35 anos de experiência em empresas como a Trevisan e Bovespa e atua como consultor no mercado em São Paulo, o momento deve ser aproveitado pelas micro e pequenas empresas pra acessar toda a ajuda financeira disponibilizada pelo Governo Federal e de cursos, consultoria, incentivos, por instituições como o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). “Sabemos que o peso percentual das micro e pequenas empresas no PIB é grande e todos os últimos governos incentivaram e incentivam essa modalidade porque a informalidade presente na economia é ruim para todos”, afirma.

Outros pontos destacados por ele é conversar com o gerente do banco e tê-lo como aliado e diversificar a contabilidade da empresa em mais de um banco, se possível, em uma cooperativa de crédito também. “Neste momento, estamos com a taxa Selic baixíssima, sendo que ela é a responsável por retroalimentar a taxa de juros dos bancos. Sendo assim, não é um cenário animador aplicar em renda fixa, já que está pagando pouco, então esses recursos vertem para as linhas de crédito”, explica.

A realidade das empresas, neste momento, é bem inferior ao seu ponto de equilíbrio de vendas e a saída, segundo Martinovich, é atuar em sistema cooperativo. “Algumas quem vendiam 40% acima do ponto de equilíbrio, que é ponto que ela tem que vender para se manter, agora chegará a comercializar 70% abaixo do seu ponto, em um prejuízo decrescente, demorar até 1 ano ou mais para chegar ao seu ‘break even’ (empate). Nesse contexto, é preciso rever sua forma de comprar e de vender, podendo ser de forma associativa a outras empresas”, explica.

Como exemplo, ele cita o fato de que hoje, as pequenas e médias empresas compram sozinhas e, normalmente, em pouca quantidade. “Associações comerciais, CDLs, e outros tipos de associativismo podem fomentar centrais de compras a fim de diminuir os custos logísticos e abaixar o preço na quantidade porque as empresas não podem ter o mesmo modelo de compras de antes; elas não vão agüentar”, afirma o economista.

A mesma situação deve ser adotada para vendas: montar centrais em que as empresas mantém suas identidades, mas centralizam um local de vendas. “Pode-se juntar quatro empresas, por exemplo, e pagar o carro de som para ir atrás do cliente nas suas imediações. É necessário uma injeção de espírito empreendedor: durante um tempo existe a zona de conforto em que você vai tocando o negócio, vai comprando, vai vendendo e segue o fluxo. Agora não; é necessário que se reúnam, as micro e pequenas e médias empresas não podem ficar sozinhas e as entidades de classe tem que apoiar. A solução é sair do ‘eu posso’ para o ‘nós podemos’”, afirma.

Para melhorar o fluxo de caixa é preciso comprar com custo médio menor e prazo médio de pagamento maior. Essa é uma das pontas em que o empresário deve atuar. A outra, segundo Martinovich, é o cliente: deve-se focar em um desconto com pagamento escalonado, por exemplo: preço de venda para pagamento em 45 dias é x, mas se me pagar em 40, desconto de 5%, em 30 dias, de 10% e assim por diante. “Como aplicação financeira está pagando muito pouco, muita gente vai achar negocio pagar antes do que deixar o dinheiro no banco”.

“Este é o momento de reescrever a gestão financeira de caixa, não há precedentes. Estamos dentro do olho do furacão, é triste, doloroso o que estamos vivendo, mas outros países viveram isso também em outros eventos terríveis. Se eles conseguiram, nós iremos conseguir também”, afirmou.

Mercado de trabalho

O impacto da pandemia no mercado de trabalho é o tema do próximo programa Economia em Debate que vai ao ar sempre às quartas-feiras, no facebook do Conselho Regional de Economia. O convidado é o presidente do Conselho Regional de Administração do Amazonas (CRA-AM), Inácio Borges. A entrevista vai ao ar a partir das 15h.

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