Em Manaus, pacientes de Covid-19 deixam os hospitais, após alta, portando mensagens à população

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Os pacientes que estão saindo dos principais hospitais que tratam a Covid-19 em Manaus estão optando por portar mensagens contidas em pequenos cartazes, direcionadas à população. Nenhum deles foi obrigado a fazer o gesto. E cada um carrega a própria história de superação, alguns com maior sacrifício, outros com menor complexidade, mas todos tendo passado por um trauma inesquecível.

Mais de 250 pacientes já retornaram as suas casas, após receberem alta do hospital de campanha municipal Gilberto Novaes, na zona Norte, onde venceram a luta contra a Covid-19. A unidade hospitalar – administrada pela Prefeitura de Manaus, em parceria com o grupo Samel e o instituto Transire – iniciou a semana concedendo altas médicas a 21 pacientes, sendo dez no domingo, 17, e outras 11 nesta segunda-feira, 18/5.

A emoção tomou conta da assistente administrativa Léia Arruda, de 44 anos, ao receber de volta a irmã Marilene Alves de Arruda. Léia agradeceu todo o apoio recebido durante a internação da irmã, que sofre de epilepsia, esquizofrenia e também já possuía um histórico de tuberculose. Marilene estava internada desde o dia 6 de maio. “O que eu mais pedi a Deus foi que ela fosse encaminhada para cá, para o hospital. Deus foi tão bom que consegui esta vaga para ela”, ressaltou.

A assistente administrativa comentou que, após a morte da mãe, ficou responsável pelos cuidados da irmã. “Depois que minha mãe foi embora, eu tenho esta missão de cuidar dela. Por ela, eu largo tudo, trabalho, filhos”, destacou. Emocionada, Léia só sabia agradecer a toda equipe do hospital de campanha municipal, desde os profissionais de saúde aos da limpeza, da administração e do serviço social.

O taxista Francenildo da Silva Alves, de 37 anos, também foi um dos pacientes a receber autorização para ir para casa. Ele contou que veio do município de Autazes – a 112 quilômetros de Manaus – para se tratar na capital.

“Eu procurei uma Unidade Básica de Saúde. Eles me examinaram, me medicaram e fiquei me tratando em casa. Como não fez efeito, procurei a unidade novamente e aí me encaminharam para cá”, informou. Francenildo estava internado desde a última sexta-feira, 15. Ele agradeceu ao atendimento recebido e segue isolado na casa da mãe, que reside em Manaus.

Coordenador do hospital de campanha municipal Gilberto Novaes, Ricardo Nicolau celebrou os índices de recuperação, mas afirmou que o momento é de bastante cautela. “Estamos no segundo mês de funcionamento, com o hospital ainda em expansão, mas já devolvemos mais de 250 pacientes a suas famílias com a saúde restabelecida. A pandemia está aí e o momento ainda pede cautela. Não podemos afrouxar as medidas de isolamento social. Mantenham os cuidados preventivos da doença”, recomendou Ricardo.

Atualmente, a unidade conta com 143 leitos, sendo 39 destinados à Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O hospital foi instalado em uma estrutura de um Centro Integrado Municipal de Educação (Cime), da Prefeitura de Manaus, com mais de seis mil metros quadrados, que estava prestes a ser inaugurada no bairro Lago Azul, passando a operar desde o dia 13 de abril.

DELPHINA AZIZ

O Hospital Delphina Aziz, referência para Covid-19 no Amazonas, registrou dez altas médicas nesta segunda-feira (18/05), totalizando 144 pacientes recuperados do novo coronavírus, que deixaram a unidade e puderam retornar para casa. Localizado na zona norte de Manaus, o hospital recebe casos de pacientes com sintomas graves da doença, que necessitam de assistência de alta e média complexidade.

Entre os pacientes que venceram a Covid-19 está Osmar Souza, 43, que passou 37 dias internado no Delphina Aziz. Deste total, ele ficou 30 dias na Unidade de Terapia Intensiva, sendo 23 em coma. Após ter o quadro estabilizado, Osmar passou mais sete dias em um leito clínico da unidade, até receber alta.

“Passei todo esse tempo aqui e eu louvo a Deus por estar vivo e que o coronavírus dessa vez não me levou. Agradeço a vida de todos os enfermeiros, todos que são muito bons. Fiquei muito admirado com esse hospital porque tudo que pediam, tinham. O Hospital Delphina Aziz está de parabéns e eu louvo a Deus por isso”, comemorou Osmar.

O sentimento de gratidão é o mesmo para Luiz Carlos, 50, que passou sete dias internado na unidade. “Estou indo para casa feliz. Quero primeiro agradecer a Deus, aos médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e todos que passaram por aqui, que trataram muito bem nossa saúde. Quero falar a todas as pessoas que se cuidem. Não tenham medo de ir ao hospital. Procure uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento) porque se deixar para depois acontece o pior e eu, antes de acontecer o pior, estou aqui são e salvo com a graça de Deus, dos médicos e dos enfermeiros”, frisou Luiz Carlos.

Após oito dias internado em um leito clínico do Hospital Delphina Aziz, Paulo Borges, 48, festeja a alta médica, mas alerta sobre a importância do isolamento social. “Só assim para a gente vencer porque se não for, não adianta eu fazer se o outro não fizer, aí vai complicar. Olha onde eu parei por causa de teimosia dos outros. Me sinto muito feliz por rever minha família de volt, porque cheguei num ponto em que achei que não ia mais, mas graças a Deus estou melhor”, disse Paulo Borges, ao deixar o hospital.

Os pacientes que tiveram alta na unidade de saúde passaram pelo “corredor da vitória”, iniciativa de humanização realizada pelos profissionais para comemorar a evolução dos pacientes quando têm alta melhorada, voltando para casa ou quando tem alta da UTI para leito clínico.

RECUPERADOS

Boletim da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM) divulgado, nesta segunda-feira (18/05), aponta que 13.929 pessoas, que tiveram diagnóstico confirmado para o novo coronavírus, já passaram pelo período de quarentena (14 dias) e se recuperaram da doença.

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