Deputado diz que Brasil abandonou a tríplice fronteira e a entregou ao tráfico e à biopirataria

O deputado Zé Ricardo (PT) discursou hoje na Câmara Federal afirmando que o Governo Federal abandonou os municípios da região do Alto Solimões, como Tabatinga, Benjamin Constant e Atalaia do Norte, que fazem fronteira com Colômbia e Peru. Segundo ele, ao retirar da área as representações do Ibama e do Incra, além de reduzir as estruturas da Funai e da Secretaria de Saúde Indígena, a União entregou a região ao narcotráfico e à biopirataria.

“Estivemos no final de semana passado no Alto Solimões e presenciamos todo esse abandono. Não há internet que funcione adequadamente; e, apesar de ter a presença das Forças Armadas, da Polícia Federal, da Força Nacional e das polícias estaduais, todos com efetivos reduzidos, é uma região de insegurança, com aumento constante da violência, do tráfico de drogas, de homicídios. Não há segurança suficiente para a população e esse é um dos grandes gritos desse povo, predominantemente, indígena”, declarou Zé Ricardo, frisando que há mais policiais federais em áreas urbanas do que em áreas de fronteira e que seria importante um novo concurso público, para destinar profissionais para essas regiões.

Ele também denunciou o descaso com as obras federais não concluídas nessa localidade, como da BR-307, estrada que liga os municípios de Benjamin Constant e Atalaia do Norte. “Uma obra de recuperação, de cerca de R$ 20 milhões, que nunca termina. Em 2019, quando lá estive, já havia denunciado essa situação junto ao Dnit. Porque é uma estrada importante para o desenvolvimento dos municípios, mas os serviços são de péssima qualidade, causando prejuízo a toda a população”.

Uma nova denúncia será formalizada junto ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit), afirmou o parlamentar, e, se preciso for, encaminhará também ao Ministério Público Federal (MPF). “Não podemos aceitar que estejam manipulando a vida das pessoas nessa região. É urgente o Governo Federal olhar para o Alto Solimões. Ali, também é Brasil e uma questão de soberania nacional”, finalizou.

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