Crea-AM aponta as falhas no viaduto do Manôa, mas Arthur contesta o laudo

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O laudo elaborado pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Amazonas (Crea-AM) apontou uma série de falhas de infraestrutura na obra do viaduto do Manoa, na zona Norte de Manaus. O estudo técnico, elaborado pelo Grupo de Trabalho de Obras Públicas da entidade, foi entregue nesta terça-feira, 9/3, ao vice-prefeito de Manaus e secretário municipal de Infraestrutura, Marcos Rotta. A assessoria do ex-prefeito Arthur Virgílio Neto (PSDB) divulgou nota contestando o relatório.

A análise técnica aponta que, no levantamento topográfico, as cabeceiras de acesso ao viaduto estão com uma inclinação muito acentuada do que é recomendado pelas normas de engenharia, problema visível a olho nu. Além disso, as questões estruturais relativas às juntas de concretagem e dilatação também devem ser executadas o quanto antes, pois apresentam falhas, entre muitos outros.

Segundo Rotta, a obra foi entregue de maneira apressada e irresponsável pelo último prefeito. O laudo entregue pelo Conselho contém sugestões e recomendações embasadas nas normas de engenharia, para que o viaduto seja entregue com segurança para a sociedade. A obra foi inaugurada no dia 31 de dezembro passado, e teve que ser fechada em menos de 24 horas por diversas irregularidades que colocavam em risco a segurança dos usuários.

“Não fosse essa medida, teríamos enfrentado muitos problemas se o viaduto fosse liberado, como foi feito de forma irresponsável no fim do ano passado. O laudo do Crea mostra um trabalho isento, independente, profissional e técnico. Agora vamos chamar o consórcio à sua responsabilidade e exigir que as recomendações do Conselho sejam seguidas à risca para o bem de uma obra extremamente importante para Manaus. Não dá para liberar a via do jeito que está”, afirmou Rotta.

O grupo de trabalho do Crea, formado por engenheiros de diferentes segmentos, liderados pelo presidente do Conselho, engenheiro Afonso Lins, estiveram no local no mês passado e fizeram a avaliação, amparados por documentos e projetos da obra que custou R$ 47 milhões. Para Lins, a obra foi entregue ainda inacabada.

“A pressa de fazer a entrega de uma obra grande como essa foi que ocasionou esses problemas. Muitos critérios não foram seguidos, projetos que não batem com a execução, até mesmo a resistência não foi obedecida, isso é grave. O próprio calculista diz que não houve desnivelamento em algo que é visível. Se estava tudo correto, porque fizeram um projeto de adequação? Recomendamos que ele seja revisto”, afirmou o presidente do Crea.

Sem custos

O vice-prefeito Marcos Rotta ainda disse que a prefeitura não vai gastar nenhum recurso a mais com as adequações da obra e que estes devem ser assumidos pelas empresas responsáveis pela execução do projeto.

“Todas as recomendações feitas pelo Crea serão custeadas pelo consórcio. A prefeitura não investirá um centavo a mais do que já foi investido no viaduto do Manoa. Nós vamos nos reunir imediatamente com os técnicos, subsecretários e engenheiros da Seminf e devemos já amanhã pela manhã chamar o consórcio responsável para repassar o que vamos determinar que seja seguido”, explicou o vice.

As obras do viaduto do Manoa ainda não têm previsão para serem entregues. Segundo o Crea, só a parte de concretagem deve durar em torno de 30 dias. A determinação do prefeito David Almeida e do vice Marcos Rotta é de que o viaduto seja entregue com qualidade e segurança na trafegabilidade.

Nota de Arthur

O ex-prefeito, Arthur Virgílio Neto, divulgou a seguinte nota sobre o assunto:

“Quanto ao laudo pericial apresentado sobre a construção do complexo viário Isabel Victoria, na entrada do Manoa, a assessoria do ex-prefeito Arthur Virgílio Neto esclarece que a inclinação do viaduto teve como parâmetro técnico a variação entre o nível da pista (a avenida Max Texeira que apresenta uma curvatura ao longo do trecho) e o nível do próprio viaduto para estabelecer o encaixe das duas cabeceiras, sendo realizados todos os cálculos de engenharia necessários para obedecer aos critérios de segurança. Ainda nessa questão, vale deixar claro que o projeto foi feito por uma equipe técnica de engenheiros e calculistas contratados pelo próprio Consórcio que venceu a licitação da obra, inclusive com especialistas vindos de fora, posteriormente também aprovado pelos técnicos da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf).

Sobre os divisores de pista é preciso esclarecer que, conforme a proposta para modernização da mobilidade urbana de Manaus, a faixa central foi destinada ao tráfego dos veículos do transporte coletivo, tornando apenas necessária a sinalização de faixas com tachões, por ser uma pista segregada.

Estranha-se o fato de não constatarem as juntas de dilatação e os drenos do complexo viário, já que ambas exigências foram executadas e comprovadas em vistoria, conforme é possível verificar em fotografias anexadas. Além do mais, qualquer ajuste ou adaptação necessária à obra está prevista no contrato junto às empresas, ainda vigente, e uma vez que foi feito apenas o recebimento parcial da estrutura.

Por fim, a assessoria do ex-prefeito Arthur Neto reafirma o compromisso de sua gestão com os avanços em urbanismo e mobilidade, através da realização do maior pacote de obras já feito por uma gestão municipal, que entregou outros dois complexos viários, além de novos terminais, estações de transferência, novos ônibus e realizou o completo recapeamento dos principais corredores viários da capital, além de vias de interligação dentro dos bairros.”

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