Careiro Castanho vive uma epidemia de feminicídios bárbaros, como o que vitimou pastora e outro em que a mulher foi morta com 30 facadas na frente dos filhos

Para tratar sobre os casos de feminicídio, que ocorreram no município de Careiro Castanho (distante a 88 quilômetros de Manaus), foi realizada, nesta quinta-feira (10/4), pela Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), Cessão de Tempo à vereadora Aldinéia Pascoal da Silveira (MDB), de autoria do deputado Rozenha (PMB).

“Nossa luta é para que se leve aos municípios, unidades ostensivas da Ronda Maria da Penha para combater a violência contra a mulher, ainda mais depois do caso de feminicídio da pastora Eliane Félix de Lima Barbosa, brutalmente assassinada no início do mês no município. Precisamos combater, fazer com que a sociedade compreenda que não cabe mais aceitarmos a quantidade de assassinatos sofridos por mulheres”, enfatizou Rozenha.

Em seu pronunciamento, a vereadora Aldinéia Pascoal da Silveira (MDB) relatou a situação da segurança pública no Careiro Castanho. Ela lembrou que participaram da Cessão de Tempo, familiares, amigos e colegas de trabalho de mulheres que foram assassinadas no município, com o objetivo de pedir por mais segurança às mulheres.

A vereadora apontou os casos de oito mulheres que foram assassinadas vítimas de feminicídio. “Temos um caso de uma mulher que foi morta com 30 facadas na frente das crianças, quando o homem que deveria protegê-la não deu possibilidade daquela mulher e mãe se defender. Estamos aqui para clamar, que melhore a segurança pública, porque não temos viatura da Ronda Maria da Penha, não temos uma perita mulher para exames de corpo de delito, e, se uma mulher for detida, ela fica no corredor. Nossa delegacia militar está precisando de reforma, precisamos de policiais femininas porque não temos nenhuma. As mulheres do Careiro Castanho estão clamando por justiça”, afirmou, convidando os deputados a visitarem as dependências da delegacia do município para constatar a situação.

Presidindo a Mesa, durante a Cessão, a deputada Alessandra Campelo (Podemos) relatou as lutas das mulheres ao longo dos anos. “Antigamente, os homens tinham autorização para matar a mulher que o traía, já pensou se a gente matasse todos os homens que traem? Quando minha filha nasceu não existia cota partidária, não existia lei do feminicídio. Não sei o que a gente vai ter de direitos quando a minha neta nascer, mas sei que é muita luta na vida de nós mulheres”, salientou.

Presidente da Procuradoria da Mulher da Aleam, a parlamentar antecipou o acompanhamento dos casos de feminicídio e também o apoio na instalação de uma Procuradoria da Mulher na Câmara de Careiro Castanho.

“Sei que o Ministério Público está acompanhando os casos, fazendo o trabalho dele, mas a Procuradoria também fará o acompanhamento. Vamos orientar a senhora como a Procuradoria da Mulher na Câmara de Careiro Castanho poderá ser instalada”, afirmou, acrescentando que a instalação da Ronda Maria da Penha, em todo interior é um sonho pessoal dela.


Foto – Hudson Fonseca

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