Asfalto e pandemias 

Assisti com prazer de amazônida e com o peito estufado de brasileiro nascido e criado no Amazonas, o pito que o Senador Plínio Valério, homem das barrancas do Juruá, passou em dois arremedos de “cientistas”.

“Babacas, idiotas, bostas e imbecis” foram os adjetivos mais que apropriados lançados pelo Senador, irado pelo fato de os dois pseudo cientistas, terem escrito que, se a BR 319 for aberta, uma onda de pandemias vai assolar a região.

Isso é de uma tolice de tamanho amazônico digo eu como epidemiologista e conhecedor das endemias e das doenças que nos afligem há séculos.

Como afirmar isso, sem embasamento epidemiológico e nenhum lastro de comparação científica com outras situações equivalentes?

Além de tolice, isso não passa de abordagem proposital a serviço do globalismo e de interesses estrangeiros que vira e mexe tentam impor aos amazonenses o eterno isolamento ou insistem em cobrir a Amazônia com uma redoma.

Esses tolos e doentes de cegueira de patriotismo que aqui chegaram como uma mão na frente e outra atrás, cometem o mais absurdo dos crimes científicos e cuja abordagem presente, não passa de mau caratismo e pedantismo em nome de uma causa que esconde isso sim interesses obscuros.

O tal estudo revela entre outras idiossincrasias, uma baita pobreza e desonestidade intelectual dos seus autores.

A BR 319, asfaltada ou não, pavimentada ou não, transformada em estrada parque ou não, já está rasgada há mais de 50 anos e nunca parou o ir e vir por meio dela, ainda que com dificuldades.

Mesmo do jeito em que se encontra a estrada, centenas de milhares de brasileiros a atravessam todos os danos levando  e trazendo coisas inclusive produtos eletroeletrônicos do PIM.

O que prova, em meio à visão técnica distorcida e do cérebro pavimentado de preconceitos contra quem mora no Amazonas, que, se as premissas dos gajos fossem verdadeiras, mais da metade da população daqui já haveria de ter morrido de febre amarela, malária, hanseníase, hepatites nas suas diversas formas, AIDS, micoses profundas e superficiais e outras doenças de transmissão vetorial ou infecciosa.

A se confirmar esse desastrado estudo, o estado de Minas Gerais que possui 30% de toda a malha rodoviária federal do Brasil, já tinha virado um celeiro incontrolável de doenças e endemias e hoje seria o estado mais pobre do país para onde ninguém gostaria de migrar.

O Panamá só é o país que é porque saiu do isolamento geográfico após a construção do canal uma das obras de engenharia mais complexas do planeta.

Apesar das inúmeras perdas, temos que admitir que não há progresso sem dor e sofrimento e não existe desenvolvimento sem investimento e com dano zero.

Ao contrário do “estudo” carregado de uma safada pegadinha científica, foi a péssima condição de tráfego da BR 319, que impediu que dezenas de carretas carregadas de oxigênio aqui chegassem mais rapidamente e com isso salvassem centenas de milhares de amazonenses que morreram sem respirar.

Opondo-se totalmente ao que tentam passar, a ausência de asfalto na BR 319 pode, isso sim, ter provocado muitas mortes durante a pandemia de COVID.

Portanto, estrada é sinônimo de progresso, de desenvolvimento e de VIDA.

A destrambelhada hipótese “científica” que mais parece uma aberração, tem sim o dedo de organizações e de governos estrangeiros com interesses nada humanitários ou de proteção por sobre nós, as quais financiam esses “estudos” cujo único objetivo, é travar os avanços civilizatórios da nossa gente que vive abaixo da linha do equador.

É a mais descabida e absurda tentativa de impedir, pela enésima vez, o asfaltamento da BR 319 que se tem conhecimento, desta feita, usando a ciência como escudo.

Tudo isso não passa de ignorância, má fé, falta de seriedade no que propor e sobretudo um olhar oblíquo e velhaco sobre a realidade amazônica.

Elocrubremos, que por longínqua e vaga hipótese, os meninos do INPA estejam certos?

Para que então servem a ciência da saúde, a epidemiologia e a tecnologia científica a serviço da criação de imunizantes, senão para descobrir caminhos que busquem saídas e proponham tratamentos que levem à cura por meio de vacinas e fármacos de última geração?

Os tais “cientistas” atiraram no que hipoteticamente viram e acertaram no que não viram, provocando um enorme desconforto político e científico onde não havia nenhuma necessidade.

Essa gente local somada aos estrangeiros, insiste no isolamento, na pobreza, na indigência tecnológica, na fome e na falta de desenvolvimento dos amazonenses e depois vão embora daqui com os bolsos cheios.

Mais tarde, em meio a outros movimentos, essa turminha entregará a Amazônia para o capital internacional, cujos países no passado, dizimaram florestas e povos e agora, voltam seus olhares de ganância para cá.

Tudo não passa de desvio moral e vergonhosa sujeição àqueles que querem dominar a Amazônia para, mais tarde, aproveitarem-se de todas as riquezas que nela se encerram e os lesos daqui ficarão chupando os dedos.

Já li e já tive conhecimento de estudos melhores e mais bem elaborados que este. 

Oxalá, os tais “estudiosos” sejam pagos para propor coisas mais sérias e aproveitáveis.

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