Arthur faz grande esforço para comparecer ao velório do filho, que ele queria ver ocupando um cargo majoritário no Amazonas

Arthur Virgílio Neto e Arthur Virgílio Bisneto tinham uma ligação muito forte. O pai via no filho alguém que poderia superá-lo na história como político e o preparou para isso. Ontem, quando soube da morte do rebento, o homem que foi três vezes prefeito de Manaus, senador da República, deputado federal e ministro da União abalou-se. Publicou um pequeno, mas comovente desabafo nas redes sociais, dizendo que em breve iria ao encontro dele, e não poupou esforços – muitos esforços – para levantar-se do leito do hospital Sírio Libanês, em São Paulo, aonde estava internado, para viajar a Manaus e fazer sua homenagem a seu próprio espelho.

Neto não conseguiu sequer receber os cumprimentos das centenas de amigos que compareceram ao auditório Belarmino Lins, da Assembleia Legislativa do Estado, de pé. Visivelmente abatido e combalido ele sentou-se em uma cadeira ao lado de parentes como o irmão Julio Verne. Colocou a mão no caixão, mas olhava no vazio. Viu amigos de longa data, como Serafim Corrêa, debulharem-se em lágrimas ao abraça-lo. Recebeu o aperto de mão das principais autoridades do Estado, a exemplo do governador Wilson Lima (União Brasil) e do prefeito de Manaus, David Almeida (Avante).

O clima no velório foi de consternação. De um lado as pessoas lamentavam a passagem do jovem político, que planejava ser candidato a vereador este ano e tinha conversado com isso com Almeida. Por outro todos se preocupavam com a reação do pai, um gigante da política amazonense, que esperava ter visto ainda em vida o filho exercendo um cargo majoritário.

O mais próximo que Bisneto conseguiu chegar para realizar o anseio do pai foi a disputa pelo Governo do Estado em 2018, quando formou chapa com o senador Omar Aziz (PSD) para tentar chegar ao poder. A chapa não foi sequer ao segundo turno e terminou em quarto lugar na disputa vencida por Lima.

O corpo de Bisneto vai repousar no cemitério São João Baptista. O futuro do pai é incerto. Mas ele certamente sentirá um enorme vazio, já que depositava no filho a esperança da continuidade da dinastia fundada pelo saudoso Arthur Virgílio Filho.

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