Por Dauro Braga*
Vendo a comissão que elaborou o projeto de reforma da Previdência prestar os esclarecimentos aos membros do Congresso Nacional e ao povo brasileiro de uma forma geral já que essa ação foi transmitida pela maioria da imprensa televisionada do país, verifiquei que a linguagem utilizada para prestar os esclarecimentos foi extremamente técnica, razão porque alguns congressistas menos letrados não entenderam. Com relação aos parlamentares da ala oposicionista e a imprensa radicalmente contrária ao governo ora instalado democraticamente se fazerem de desentendidos, o povo mais esclarecido conhece as razões. O que me preocupa é o povão… essa expressiva maioria do povo brasileiro alfabetizado que sabe assinar o nome, mas não consegue ler um texto composto de duas frases e muito menos interpretá-lo.
Pois bem, é para esse público que o governo tem que dá o seu recado, porém utilizando uma linguagem simples, pois é essa que eles entendem. De que adianta falar o economês e apresentar gráficos demonstrativos de curvas de nível e dados estatísticos se o povo não entende? O governo tem que falar uma linguagem simples e objetiva, mostrando ao povão que a reforma é a única saída para a nação, que se ela não for feita o barco afunda com todos nós e que ela só atingirá os privilégios dos primos ricos da previdência.
Quanto a reforma da Previdência dos militares, que alguns acham que está recebendo um tratamento diferenciado e recheado de privilégios, tendo inclusive, o presidente da Câmara dos Deputados afirmado que os milicos estão querendo participar da festa quando essa já acabou, basta mostrar ao povão os salários que estão à disposição de qualquer um no Google. Vejam os exemplos:
General de Exército em final de carreira – 23.676,00
Chefia de gabinete da Câmara dos Deputados – 26.191,00
STF- Analista judiciário CJ-43 – 39.272,56
Coronel do Exército – 11.451,00
TRT 3 Região – Chefe de gabinete – 19.693,00
Senado da República – Policial Legislativo – 17.000,00
(OBS: Início de carreira)
Assembleia Legislativa de SP – Chef. Gabinete – 22.000,00
Um chefe de gabinete do Senado recebe entre salário, vantagens pessoais, abono, função e auxílio alimentação, a bagatela de 44.397,11 enquanto que um general de brigada percebe três vezes menos, ou seja:12.490,00. São essas aberrações que precisam ser mostradas ao povão para que ele entenda que essa situação não pode continuar. Não dá para você comparar o nível intelectual dos dois profissionais e muito menos as responsabilidades
das funções que eles exercem, que possam justificar essas disparidades.
Não sou militar e nem tenho parentes nas Forças Armadas. Tenho é ojeriza às injustiças! A história desse país tem que ser contada da forma mais simples, pois é assim que o nosso povo entende.
*O autor é empresário (daurofbraga@hotmail.com)
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