A grande cegueira nacional

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O Brasil é um país de deficientes visuais cuja cura depende de intervenção cirúrgica feita por mãos habilidosas de notáveis cirurgiões oftalmologistas. Temos uma Justiça que além de cega, ainda usa uma venda sobre os olhos para poder justificar a razão da sua morosidade em julgar determinados processos que dormitam nas prateleiras da Suprema Corte.

Provavelmente seus componentes entendem de forma errônea, que a Justiça seja como o vinho, quanto mais velho melhor, ou talvez por falta de um guia de cego que possa conduzir nossos julgadores até onde os processos se encontram. Será que os nossos Doutos e iluminados juristas da Suprema Corte ainda não se aperceberam que” justiça atrasada não é justiça, senão injustiça qualificada e manifesta”? Deus nos concedeu a graça de desenvolver a sensibilidade de outros sentidos para suprir a deficiência do órgão que porventura tenha sido lesionado. Acredito que no caso da Justiça brasileira, a audição desenvolveu um processo de aperfeiçoamento tão aprimorado que preencheu a falta da visão perdida, pois enxergando através dos olhos de seus julgadores e ouvindo com a audição apurada de um morcego ela identifica situações inusitadas que após mensuradas, se materializam através de sentenças exaradas cujo conteúdo arrepiam cabelo em cabeça de careca.

A nossa cultura é talvez o maior celeiro onde pode-se encontrar em abundância mais cegos do que pessoas com boa visão. Temos armazenado ali um universo de pessoas acometidas de Glaucoma, ou seja, têm os olhos sãos, porém não enxergam porque o nervo ótico do conhecimento que se encontra lesionado, impede a passagem das informações visuais para o cérebro.

Para contribuir com o aumento desse universo de cegos , governos populistas resolveram que não era mais a cultura que iria fazer a seleção entre os mais aptos ou não, mas sim, a sua cor e etnia. Essa decisão esdrúxula e desconexa alcançou os seus reais objetivos, vemos atualmente uma legião de doutores caminhando a esmo com o canudo nas mãos, mantendo uma postura “indiferente e estúpida de um cego e o ar indolente de um chinês idiota” , sem saber para que serve aquele diploma e onde procurar um posto de trabalho que lhe aceite como salvo-conduto para um pretenso emprego, pois afinal o mercado não procura quem tem diploma, mas sim quem tem conhecimento .

Engrossando a fileira de cegos que abundam essa nação, não podemos esquecer de falar da imprensa brasileira. Ninguém dissertou tão bem o papel da imprensa dentro do contexto do sistema democrático do que um dos maiores jornalistas que essa nação conheceu, o gênio Ruy Barbosa. Dizia ele que, a imprensa brasileira precisava ter conhecimento de que o desejo dominante de descobrir a verdade era o seu maior mandamento. Sendo essa a sua regra máxima, o mais grave dos pecados capitais da imprensa é o da “distorção”, proposital ou inadvertida. A imprensa como “a vista da Nação”, segundo ele, não devia ser aquela instituição comunicativa que, ao separar o joio do trigo, só publica o joio. Infelizmente, a nossa imprensa desviou o foco dos seus reais objetivos quando deixou de informar os fatos ocorridos com a fidelidade que se faz mister. Um país só alcança plenitude epistemológica, quando todos os seus membros estão a par da verdade dos fatos, sendo estes construídos a partir da investigação e da publicação das múltiplas versões ou perspectivas que os cercam. A imprensa, na concepção de Ruy , é a vista da Nação. Por ela é que a Nação acompanha o que lhe passa ao perto e ao longe, enxerga o que lhe malfazem, devassa o que lhe ocultam e tramam, colhe o que lhe sonegam, ou roubam, percebe onde lhe alvejam, ou
nodoam, mede o que lhe cerceiam, ou destroem, vela pelo que lhe interessa, e se acautela do que a ameaça.

Tiremos a venda da Justiça, dêmos ao cego de cultura a luz do saber para iluminar o seu caminho e punamos a imprensa tendenciosa quando essa publicar informações que distorçam a verdade dos fatos, e assim, teremos um nação forte e imbatível. Avante
Brasil!

*O autor é empresário aposentado

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