A fofoca que funcionou

Por Hiel Levy*

Pouco antes do Carnaval, quando os promotores e procuradores se preparavam para escolher os seis nomes que comporiam a lista a ser encaminhada ao Tribunal de Justiça para concorrer ao cargo de desembargador, um conhecido personagem entrou em cena. Uma daquelas pessoas asquerosas, que se sentem poderosas, mas agem sorrateiramente. Ele se pôs a espalhar entre os votantes que o procurador geral de Justiça licenciado, Fábio Monteiro, já se sentia dono da vaga.

A fofoca foi bem construída. Segundo o fofoqueiro, o governador José Melo havia garantido o cargo a Monteiro. Este, que deveria ter sido o mais votado com folga, teve dificuldades de se manter em primeiro lugar. Afinal, a “interferência” externa mexeu com os brios de procuradores e promotores.

A fofoca, então, mudou de endereço e chegou ao Tribunal de Justiça, contaminando os desembargadores. Estes criaram repulsa por Monteiro e passaram a considerá-lo arrogante e mal intencionado.

O fofoqueiro só não contava com a ascensão poderosa e fulminante do procurador Hamilton Saraiva. Discreto, competente, articulado e bem relacionado, ele foi apoiado por uma plêiade de notáveis, que iam do presidente do Tribunal de Justiça, Flavio Pascarelli, ao ministro do Superior Tribunal de Justiça, Mauro Campbell.

Melo, que de bobo não tem sequer a cara, já havia percebido os humores e embarcou na canoa de Hamilton.

O fofoqueiro ainda tentou espernear. Mandou um aliado espalhar que Hamilton era cria do senador Eduardo Braga, para ver se mexia com os brios de Melo e o fazia mudar de ideia. Não deu certo e a cobra peçonhenta acabou em um canto, acabrunhado. E ganhou mais alguns inimigos daqueles que ficam para o resto da vida.

Agora, Fabio Monteiro volta à Procuradoria Geral. E sabe muito bem quem foram os seus algozes. Só não dá o troco se não quiser.

*O autor é editor do blog

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