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Por Dauro Braga*

A despeito de sermos considerados o celeiro do mundo, o pulmão do universo e o maior banco biogenético da humanidade, muitos crimes vêm sendo cometidos contra essa região que a tudo assiste passivamente sem que um filho seu saia à luta em defesa de seus mais legítimos interesses. Assim foi quando mataram o CBA sem que lhe dessem pelo menos o direito de ter uma certidão de nascimento (CNPJ).

Aqueles como eu que se rebelaram contra o crime que estavam perpetrando ao matarem àquela Instituição de pesquisa séria que começava o seu ciclo de vida oferecendo trabalho a inúmeros pesquisadores que já se encontravam aposentados precocemente , em pleno vigor físico e mental e que tinham como meta pesquisar a nossa flora e a fauna, tirando delas além do conhecimento científico, mas também o conhecimento de suas propriedades terapêuticas para a fabricação de fármacos, ouviram como contra-argumento dos órgãos governamentais da comunidade acadêmica e da sociedade de uma forma geral, um silêncio profundo, para nos indicar que nosso brado não provocara qualquer ressonância, pois feria frontalmente poderosos interesses econômicos de instituições nacionais e internacionais e de outras
forças ocultas das quais já falara o ex-presidente Jânio Quadros ao justificar seu tresloucado gesto de renúncia.Pronto, diante da pintura retratada nesse quadro tétrico imaginário, já estava consumada previamente a morte do CBA. Ele era um feto anômalo e indesejável que deveria nascer, mas ter vida curta, por isso nem seu registro de nascimento lhe concederam.

Essa história é muito longa e recheada de fatos altamente suspeitos que um dia o tempo se encarregará de revelar a verdade. A minha parte eu fiz quando dei o brado de advertência anunciando a morte do CBA. O resto, um dia a história contará. Republico o artigo que escrevi em 2015 para que alguns analistas tendenciosos não fiquem distorcendo os fatos.

MATARAM O CBA, MAS NÃO OS NOSSOS SONHOS!

Ruiu por terra o edifício da esperança pela força telúrica da omissão irresponsável dos homens públicos dessa terra. Mataram o CBA! Nos festins da república, a cambada de impatriotas comemora o fim dos sonhos de milhares de amazonenses sérios que amam a terra de Ajuricaba como a própria família. Enquanto tocam as trombetas do apocalipse para anunciar que os objetivos dos canalhas foi atingido, ouve-se ao longe o espocar das rolhas do bom champanhe francês sendo consumido abundantemente pelos convivas e seus puxa-sacos que não se preocupam com quanto custa cada garrafa, pois a farra desmedida está sendo custeada com o dinheiro da SUFRAMA que foi confiscado criminosamente pelos petralhas, que por sua vez, alegam não ter dinheiro para custear as obras de infraestrutura do distrito industrial e para melhorar o mísero salário que pagam aos servidores dessa autarquia.

A soma do confisco já ultrapassa a casa de um bilhão de reais. Esse dinheiro faz muita falta ao Estado do Amazonas e aos demais que pertencem a área incentivada pela SUFRAMA, porque poderia implementar ações de governo que visassem minorar o sofrimento das populações carentes do interior. Pois bem, esse dinheiro pertence por direito à essa região, é proveniente da cobrança das taxas relativas à entrada de mercadorias em nosso território.

Sabendo da minha admiração e apreço pelo projeto CBA, o meu amigo Imar Araujo, um cara inteligente, competente, sério, e um grande sonhador, me convidou para participar da solenidade de inauguração desse centro de pesquisas. Os meus minguados conhecimentos dessa área jamais turvaram a minha visão impedindo-me de enxergar o futuro promissor que estava reservado ao Amazonas com o pleno funcionamento do Centro de Biotecnologia da Amazônia-CBA, por entender que, somos possuidores do maior banco biogenético do mundo. Portanto, donos da matéria prima da melhor qualidade e em quantidade e diversidade inigualáveis, que não podem ficar aguardando intermináveis pesquisas para saírem das pranchetas dos
pesquisadores para as máquinas processadoras de novos produtos dos laboratórios e indústrias de fármacos a serem conveniadas, para que tenham serventia imediata à humanidade e rendam divisas para a nação.

O mundo moderno exige urgência nas tomadas de decisão. Produtos que no passado tinham grande importância para a humanidade, hoje pouco tempo depois, poucos
lembram até de seu nome. Essa história de produzir conhecimento científico é conversa para boi dormir. O conhecimento não materializado só serve para entulhar arquivos morto. Com o espírito do otimismo no comando dos meus sentimentos, tive a ousadia da franqueza de dizer ao amigo Imar, esse projeto é muito sério e você também o é! No Brasil as coisas sérias tem vida curta.

Prepare-se para grandes embates, decepções, desilusões, incompreensões, perseguições e todas as dificuldades que você pode imaginar. Não pense que o seu caminhar será por avenidas largas e floridas. Você vai ter que aprender a engolir sapos e caminhar por veredas estreitas e cheias de pedregulhos. Disse-lhe mais, essa aeronave com os seus dois motores, o do sonho e o do ideal, logo mais estará decolando monomotor devido a ação danosa de maus brasileiros.

Grandes empresas internacionais quando perceberem que seus interesses possam ser prejudicados pelo bom desempenho do CBA, acionarão suas bases fincadas na capital da república e determinarão que elas dirijam suas baterias antiaéreas para a essa pequena aeronave, disparando seus petardos no sentido de abatê-la.

É preciso ainda levar em consideração, a ação daninha dos ratos palacianos que nas caladas da noite haverão de sair em múltiplos bandos para roerem a produção de pesquisa que foi produzida, enquanto os pardais puxa-sacos e incompetentes completarão a obra destrutiva, despejando fezes sobre tudo isso.

O mais lamentável dessa tragicomédia é a omissão dos homens públicos dessa terra e o pouco caso que fazem as nossas lideranças empresariais diante dessa hecatombe que se abate sobre o nosso estado. Diz o ditado: “O direito do enforcado é espernear”. Pois bem, exerçamos esse direito! Não calemos! Não nos deixem levar para o altar do sacrifício sem berrarmos! Mataram o CBA, mas não os nossos sonhos!

Manaus, 11 de Junho de 2015.

Nota: Dedico esse trabalho ao amigo Imar Araujo, um homem sério e corajoso que dedicou grande parte de sua vida ao Amazonas e que hoje a vida lhe tirou o direito de sonhar. Acometido de Alzheimer, Deus lhe poupou tomar ciência do crime que cometeram contra o CBA. Agora quero saber quando será o leilão para venda dessa instituição. Já que não lhe deram uma certidão de nascimento, concedam-lhe pelo menos um enterro digno e um atestado de óbito.

*O autor é empresário aposentado

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