Um perigoso vácuo de poder

Por Ronaldo Derzy Amazonas*

O mais bem sucedido, o mais traumático e o mais prejudicial (pro povo e pra economia) movimento paredista de que se tem notícia na história recente do país foi protagonizado por caminhoneiros.

Bastaram pouco mais de oito dias para que o Brasil experimentasse a mais terrível crise de abastecimento dos principais gêneros de consumo desde alimentos, medicamentos, insumos industriais, ração animal, correspondências, peças, minerais, combustível, animais para abate além de atrapalhar o ir e vir dos cidadãos em muitas cidades cortadas por estadas.

Enquanto o movimento dos caminhoneiros avançava e a paralização se mantinha o que assistimos foi uma atuação atabalhoada, vacilante e inconsistente de um governo inerme e acuado.

Quais foram então os ingredientes que contribuíram para que a nação perplexa assistisse ao desenrolar de uma pseudo greve cujas consequências especialmente para a economia são as mais catastróficas?

Primeiro, o criminoso e oportunista represamento aos  preços dos combustíveis nos governos petistas de Lula e Dilma os quais impuseram uma política de preços artificial impondo uma falsa impressão de que os valores praticados eram reais porém sabemos que além do rombo que essa prática predatória vitimava a empresa, por outro lado a corrupção reinante na estatal a levava para o abismo.

Segundo, a insensatez reinante da gestão tucana na Petrobras cuja política de preços aplicada aos combustíveis pensou tão somente na recuperação financeira da estatal porém agiu com extremada insensibilidade para com o consumidor num país onde o transporte de cargas depende 70% das rodovias, dos caminhões e do diesel.

Terceiro, a atuação vexaminosa, omissiva e demorada de um governo enfraquecido politicamente, um Presidente acuado e perdido em meio às avaliações negativas tanto no seio da população quanto pelos diversos segmentos políticos e empresariais esses últimos, envolvidos nessa balbúrdia, em meio aos seus interesses comezinhos.

Os prejuízos já contabilizados alcançam a cifra de 75 bilhões em  perdas financeiras para a economia como um todo, com impacto negativo de quase meio ponto percentual no crescimento do PIB de 2018 sem contarmos na demora de meses para que a economia possa dar sinais de recuperação num país que mal estava saindo de um sobressalto de inflação alta e retração na indústria e no comércio com um nível de desemprego na casa de mais de 13 milhões de vagas.

O ano de 2018 entrará para a história como aquele em que precisávamos matar um leão por dia para enfrentarmos a crise recuperarmos empregos, alavancarmos o crescimento industrial, comercial e de serviços porém, a conta agora é matarmos pelo menos o dobro de leões se pensarmos em sobreviver até o final do ano.

Diz a sabedoria popular que cada povo tem o governo que merece. Esse que aí está ninguém merece. Oremos!

Té logo!

*O autor é farmacêutico e empresário

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