Quem tem medo do Bolsonaro?

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Por Ronaldo Derzy Amazonas*

No ano de 1984 eu então segundo tenente farmacêutico do EB servindo no Hospital Geral de Manaus tive a oportunidade de um rápido contato com o então primeiro tenente paraquedista do mesmo EB Bolsonaro ele que passava por um curso no CIGS e tinha ido realizar alguns exames de rotina no HGeM.

Um encontro fugaz com uma figura comum e desconhecida porém que possuía fama de milico determinado e vibrador.

Relato esse fato sem nenhuma pretensa exaltação à figura em tela mas apenas como lembrança de um momento passado e que guarda certas curiosidades e entrelaçamento com o presente tendo em vista a figura notória e polêmica em que se transformou o hoje Deputado Federal Jair Messias Bolsonaro.

Já vou logo adiantando que não nutro por ele nenhuma admiração especialmente no seu comportamento irascível e até grosseiro porém, original e verdadeiro, ao meu sentir.

Mas o que quero abordar se situa no contexto político especialmente na quadra de inquietantes transformações políticas e sociais que o mundo experimenta presentemente, notadamente no avanço antes tímido, mas agora forte e determinado, das ideias e ideais de um pensamento de direita mais combativo e que  cresce mundo afora despertando maior e crescente interesse nos jovens de mais fácil apego aos apelos imediatistas.

A recente eleição que catapultou à Casa Branca um empresário de forte personalidade numa quase imprevisível e impossível guinada política americana à direita, há de ter acendido a luz vermelha pelo que representam os EUA enquanto potência mundial para o resto do planeta.

Ocorre, que o que era apenas uma tendência ou até mesmo um surto de irracionalidade dos americanos vem contagiando outros povos e nações europeias a embarcar nessa onda de mudanças políticas ainda superficiais porém preocupantes pois fortalecem o xenofobismo, aguçam a intolerância religiosa, engrandecem ideologias separatistas e alimentam uma guerra contra minorias.

Também o forte exemplo recente nas eleições francesas onde partidos tradicionais sequer conseguiram colocar no segundo turno seus candidatos, nos apresenta como concorrente uma ultra direitista como escolha soberana ainda que discutível do povo francês. A coisa não perece preocupante ela é verdadeiramente preocupante pois só a título de curiosidade estatística, nas eleições francesas dos 60% daqueles que demonstram preferência em Macron apenas 10% se dizem fiéis seguidores das suas ideias e concordam com sua plataforma de governo ou seja, até os europeus preferem o inponderável a apostar em partidos tradicionais. Já com relação a Le Pen 90% dos seus admiradores votam nela por convicção.

Finalmente, penso que Bolsonaro ainda é um balão de ensaio. Não é um bicho papão tampouco uma mula sem cabeça a nos causar arrepios e pavores porém, devemos avaliar com cautela a chegada do deputado a um possível segundo turno como demonstrado até aqui em todas as pesquisas eleitorais realizadas para presidente do país.

A soberania do voto e o direito popular de escolha hão de ser colocados em prática e respeitados afinal, a voz do povo é a voz de Deus mesmo que muitas vezes por caminhos oblíquos.

Eu não tenho medo do Bolsonaro!

*O autor é empresário e farmacêutico

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