Pastoral Carcerária e deputados denunciam: autoridades sabiam de tudo, mas não tomaram providências

Representantes da Pastoral Carcerária, acompanhados de representante das Comissões e Defesa dos Direitos Humanos da Câmara Federal e da Assembleia Legislativa, reuniram-se ontem em Manaus, visitaram o Complexo Anísio Jobim e a Cadeia Pública e denunciaram as autoridades estaduais, que segundo eles sabiam da situação de tensão e não tomaram providências. Eles prometem tomar providências contra a empresa Umanizzare.

A agenda foi comprida ainda por um representante da Pastoral nacional, padre Valdir Silveira; do presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, deputado federal Padre João Carlos Siqueira (PT/MG), além de algumas entidades e familiares dos presos assassinados nesse massacre, que denunciaram diversas irregularidades, como falta de comida e remédios, assistência médica e social e até falta de água.

A Pastoral denuncia que as autoridades locais sabiam das ameaças de morte e de possíveis rebeliões e não “faziam nada”, enfatizando que essa foi uma tragédia anunciada.

À tarde, a comitiva foi ao Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), que fica no KM 8 da BR-174 (Manaus-Boa Vista), mas somente na área administrativa. Não foi permitida a entrada na ala dos presos. A administração penitenciária alegou que a situação ainda era de tensão e que não havia o controle da segurança do local.

A direção do presídio expôs a atual situação do local, a estrutura e as dificuldades. “Vimos muitas famílias do lado de fora, um pouco distantes. A visita está suspensa, mas hoje já começaram a liberar a entrada de alimentos e medicamentos”, disse José Ricardo, que logo depois seguiu com a equipe para a Cadeia Feminina, que disse não ter foco de rebelião e não estar superlotada.

No final do dia, a comitiva foi à Cadeia Pública Raimundo Vidal Pessoa, no Centro.

José Ricardo disse que irá cobrar providências urgentes do Estado sobre as mortes, fugas e esse caos que se formou no sistema prisional, além de pedir investigação nesse contrato com a empresa Umanizzare, que pode resultar num pedido de CPI. “Também vou cobrar que o Estado chame com urgência os novos defensores aprovados no último concurso para ampliar a justiça no Amazonas. As várias instituições públicas devem ser cobradas nas suas responsabilidades”, completou.

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