Navegar é preciso. Viver não é preciso (Pompeu)

Por Ronaldo Derzy Amazonas*

Diferentemente de Fernando Pessoa que em um dos seus célebres poemas apõe e traduz essa frase colocando o verbo precisar como necessidade, o general romano Cneu Pompeu Magno, 106-48 aC. verdadeiro autor da mesma (“Navigare necesse; vivere non est necesse” – em latim), a lançou aos seus marinheiros os quais demonstravam medo de viajar para as guerras, porém, com o sentido de precisão, exatidão, talvez para animá-los a enfrentar as duras e penosas viagens nos navios de batalhas ou seja, queria dizer Pompeu, que navegar é mais exato do que viver.

Há gente por aí, especialmente políticos novos e antigos, os quais deveriam aderir mais ao sentido do poeta português do que do general romano pra ver se escapam da “guilhotina” que a história reservou pra eles tendo em vista a forma de exercício politico e da política que escolheram navegar, muitos dos quais rasgaram seus passados, suas biografias e até alguns legados construídos mas que  foram fatalmente jogados na lama pela forma abjeta com que corromperam e se deixaram corromper numa sanha incontrolável de busca do poder pelo poder e hoje encontram-se ou respondendo a ações penais, processos, inquéritos e investigações criminais ou foram condenados e presos ou estão na iminência de sê-los.

Assim como a navegação é precisa seja marítima, aérea ou terrestre dado os diversos instrumentos antigos e novos os quais oferecem segurança a quem viaja, controla ou dirige, a vida nos proporciona ingredientes igualmente precisos se nos nortearmos por caminhos da ética, da retidão de propósitos, das boas companhias e das escolhas políticas calcadas sobretudo numa visão horizontalizada que nos faça enxergar especialmente aqueles que dependem das nossas decisões e dos nossos atos.

Melo, Cabral, Cunha, Aécio, Maluf, Calheiros, Delcidio, Gleise, Vaccari, Palocci e Lula, tantos são os nomes e tantas são as armações, falcatruas e roubos que essa gente protagonizou ao longo dos anos. Gente sem a bússola da vergonha, gente sem o sextante da honra, gente sem o GPS da dignidade, políticos sem o mapa do bom caratismo esses, perderam completamente o rumo e foram guiados ou se deixaram guiar a lugares e becos sem saída estando hoje singrando os mares revoltos e incertos que poderão chegar a  portos desconhecidos e sombrios da prisão e do ostracismo, castigos mais que justificados para aqueles cujas atitudes reprováveis traíram a confiança do Estado e da nação.

A justiça há de reparar os prejuízos causados e colocar nos eixos aqueles e aquelas que se desviaram do bom caminho e da boa política.

Que navegar continue sendo preciso, mais exato do que necessário; que o exercício da política seja preciso e necessário e que viver seja mais que necessário.

*O autor é empresário e farmacêutico

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