Mostra de música indígena lota o Teatro Amazonas

Ao som do Hino Nacional Brasileiro cantado no idioma Tikuna, para um Teatro Amazonas lotado, foi realizada a abertura da primeira edição da “Wiyae – Mostra de Música Indígena do Amazonas”, na noite desta quinta-feira (9/8). Em comemoração ao Dia Internacional dos Povos Indígenas, a apresentação foi carregada de simbolismos.

A indígena Djuena Tikuna, que também faz parte da organização da mostra, foi a responsável pelo momento inicial, cantando o hino em sua língua materna, acompanhada pela orquestra Amazonas Filarmônica. “Eu acho que isso é uma conquista coletiva. Sempre falo que sou do movimento indígena e falo muito da nossa luta. Então chegar até aqui e trazer a minha revoada é um sonho. A população amazonense precisa conhecer a nossa diversidade, nosso canto, nossa dança e nosso ritual. As pessoas precisam ouvir nossa voz”, disse Djuena.

E a voz indígena se fez ouvir! A fila formada na entrada principal do Teatro Amazonas, faltando mais de uma hora para o início do espetáculo, revelava a ansiedade de espectadores de todas as idades. “É prazeroso você vir conhecer um pouco mais da sua história, de onde você mora e estar no Teatro Amazonas, ver as pessoas se apresentando, ouvir as músicas. Eu amo muito a arte. Acho importante conhecer um pouco mais da cultura das etnias que nos cercam e saber um pouco mais da raiz que vem no nosso sangue”, considerou o estudante Akilles Gomes, 16.

Encontro de povos – Além dos Tikuna, que são a etnia mais numerosa na Amazônia brasileira, representantes dos povos Sateré-Mawé, Munduruku, Dessana e outros habitantes do Alto Solimões e do Rio Negro passaram pelo palco do maior templo da cultura amazonense, acompanhados pelo grupo Raízes Caboclas.

Dez artistas se apresentaram na primeira noite. Entre eles, a pesquisadora e intérprete Marlui Miranda, considerada uma referência internacional na música indígena. “Para mim esta é a verdadeira recompensa. Estar aqui compartilhando o espaço com todas essas etnias que tem essa música maravilhosa. E é uma oportunidade pra eu aprender com eles. Essa cultura tão linda é parte de mim. Minha ancestralidade é indígena. A ideia desse vento é mostrar a todos que os povos indígenas fazem parte de nós e devemos conhecê-los”, afirmou Marlui, que há 40 anos realiza trabalhos de pesquisa sobre a cultura indígena.

Do lado de fora do Teatro Amazonas, uma exposição de artesanato indígena produzido com material sustentável coloria o Largo de São Sebastião. “Esse trabalho é fruto de muita dedicação, principalmente dos grupos envolvidos nas apresentações e da classe indígena como um todo. Era um clamor antigo deles, que reivindicavam a oportunidade de adentrar no Teatro Amazonas para mostrar essa musicalidade, que é a raiz cultural de todos nós”, disse Amilton Gadelha, presidente da Fundação Estadual do Índio (FEI). 

Segunda noite – Quem não foi à noite de abertura, terá mais uma oportunidade. A Mostra de Música Indígena encerra nesta sexta-feira (10/8), a partir das 20h, quando mais onze grupos se apresentam no Teatro Amazonas. O evento tem entrada gratuita e é realizado pela FEI, em parceria com a Amazonastur e a Secretaria de Cultura (SEC).

A programação conta com Ritual Justino Tukano e José Tikuna, Grupo Baayaroá, Grupo Inhambe Kurin, Weena Tikuna, Grupo Bajuna, José Tikuna, Grupo Waruna, Elizete Tikuna, Yra Tikuna, Grupo Yo’I e Grupo Marupiara.

FOTO: Bruno Zanardo 

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