Luta(?) contra o HIV/AIDS

Por Ronaldo Derzy Amazonas

Dia primeiro de dezembro próximo passado foi mais uma vez comemorado o Dia Internacional de Luta contra o HIV/AIDS e, a guerra que já deveria ter sido declarada há muito tempo atrás pelos organismos nacionais e internacionais de saúde, ONG’s, entidades e instituições ligadas ao assunto e pesquisadores da área, nunca passou de um blefe ou de uma discussão de gabinetes refrigerados em Brasília e na OMS.

Há dois anos atrás em artigo publicado nesse espaço, chamava eu atenção para a catástrofe anunciada que era e é o avanço avassalador dessa síndrome sobre os jovens menores de quinze anos o que se confirma com os atuais dados epidemiológicos publicados pelo Ministério da Saúde ou disponibilizadas pelas instituições de referência no diagnóstico, tratamento e controle da doença em nosso Estado.

Dados liberados semana passada pelo MS atestam que entre os anos de 2011 e 2016 os casos de HIV registrados no Brasil aumentaram 335% passando de aproximadamente 11.300 para pouco mais de 37.800 casos. Um espanto! se considerarmos os tubos de dinheiro  bem, ou na maioria das vezes, mal empregados em propagandas equivocadas, em estratégias de combate distorcidas da nossa realidade e em gastos desnecessários com pesquisas e projetos criados mais para alimentar vaidades e satisfazer vontades pessoais de muitos.

Há que se considerar entretanto que o número de casos de AIDS(A Aids é notificada se o indivíduo aparece no hospital com alguma doença oportunista (como câncer ou infecções) ou com a imunidade muito baixa; se, durante o tratamento dessas doenças, o paciente faz o teste de HIV e ele dá positivo, o caso é notificado como Aids-Fonte MS) vêm caindo lentamente como atestam os números do MS quando estes afirmam que para cada 100mil habitantes de 2011 para 2017 os casos de AIDS caíram de 21,8 para 18,5mil casos registrados. Nada muito significativo!

Outra tragédia em pleno curso a teimar em resistir nas tentativas de controle da doença é o avanço da mesma sobre os idosos especialmente os homens com pequena queda entre as mulheres igualmente idosas.

De acordo ainda com as fontes de pesquisa do MS, os casos de AIDS entre crianças menores de 5 anos cresceram também de forma preocupante.

Este artigo, não tem a pretensão de analisar ou apenas criticar a partir dos números publicados o quadro geral da doença  mas, lançar luz sobre a adoção urgente de novas dinâmicas, estratégias de abordagem da população em geral, novos medicamentos, investimento em ciência e tecnologia, capacitação científica e treinamentos de equipes com aplicação de métodos os quais se insiram na realidade social a partir de estudos sociológicos e econômicos da população em suas diversas nuanças de vulnerabilidade.

Ou declaramos verdadeiramente uma guerra contra o vírus do HIV e suas consequências funestas contra a toda a população tendo em vista que os estudos já comprovam que não há grupos de risco e não existe parcela mais ou menos vulnerável, ou amargaremos em poucos anos o retorno de uma epidemia de AIDS por sobre todos nós.

Té logo!

*O autor é farmacêutico e empresário

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