Locaute ou nocaute?

Por Dauro Braga*

Fervorosos críticos do movimento revolucionário de 64, até hoje criticam algumas medidas de força que foram editadas por aquele movimento revolucionário, que a bem da verdade, foi deflagrado quase que por imposição do povo brasileiro, por apelo de uma parte da ala conservadora da igreja e pelo empresariado brasileiro que viam claramente o país caminhando a passos largos para se tornar numa nova Cuba. Segundo eles, só as nossas gloriosas forças armadas podiam impedir a inevitável hecatombe constitucional e a iminente instalação de um regime comunista na nação.

Para estancar a sangria da desordem e salvar a nação que agonizava no meio do caos instalado pelos vermelhos, havia premência na aplicação de remédios jurídicos de sabor amargo, sendo que, entre todos eles, o que foi considerado mais amargo e o mais combatido e criticado pelos esquerdistas e por uma pequena parte da intelectualidade burra da nação, foi o Ato Institucional número 5 , porque concedia aos governantes o poder da exceção para punir arbitrariamente os que fossem inimigos do regime, ou como tal considerados. Em razão disso, taxaram-no de excremento jurídico e outros adjetivos impublicáveis, que por razões de bom senso e respeito ao leitor amigo prefiro deixar de cita-los.

Vejo no movimento intervencionista de 64 uma reação cívica-popular que contou com a parceria das forças armadas na defesa da nação ameaçada pelas células vermelhas que aqui pretendiam instalar uma republiqueta comunista. Para o enfrentamento dessa grave ameaça às Instituições Democráticas da República e a própria integridade do solo pátrio, essas forças interventoras não hesitaram em utilizar as poderosas armas dos atos institucionais, como único remédio capaz de curar os grandes males que ameaçavam a vida da nação se apoderando e destruindo suas células vivas, mesmo desconhecendo seus efeitos colaterais, porque o imperativo maior que predominava sobre todos os demais naquele momento tão grave, era salvar a nação que agonizava no leito de morte.

Vivemos hoje um momento semelhante aquele e o mesmo povo desesperado clama novamente por socorro, pedindo as gloriosas forças armadas que intervenham na nação, pois as nossas Instituições Democráticas estão falidas e as autoridades constituídas, em sua grande maioria, corrompidas. E o que vemos no meio desse cenário apocalíptico? Vemos um governo corrupto, perdulário e desacreditado, tentando desesperadamente escapar da morte eminente, fazendo para isso, o uso indiscriminado de ectoparasitas constitucionais colocados propositadamente na nova Constituição.

A edição do Decreto Lei Glo e a ameaça da edição do instrumento jurídico “ Requisição de Bens”, apesar de legais porque são constitucionais, são tão truculentos e imorais quanto o foram àqueles que confiscaram a poupança e o boi no campo , pois concederam e ainda concedem ao governo poderes excepcionais que lhe permite aplicar pesadas multas aos empresários do transporte apenas por supor que eles estejam praticando Locaute. Essas aberrações jurídicas, frutos da cabeça doentia de maus brasileiros, democratas de araque, têm a mesma conotação dos Atos Institucionais, apenas se diferenciando nos seus propósitos, pois enquanto os primeiros eram utilizados para salvar uma pátria que agonizava, esses novos excrementos jurídicos são utilizados para tentar salvar um governo que já está morto.

Empresário companheiro, somos o eterno estivador que carrega em seus braços o pesado fardo da incompetência de um governo perdulário e corrupto. eterno refém de um Congresso omisso e irresponsável e de um Judiciário lerdo no julgamento dos poderosos, mas ágil e inclemente no julgamento dos mais humildes, principalmente, quando o delito se constitui de dívidas ao governo, embora sendo pequenas. Somos o bode expiatório da nação e a nós são creditados todos os fracassos das administrações públicas desastrosas e de todos os males que afligem a pobre e sofrida nação.

A incompetência no gerenciamento do movimento grevista dos caminhoneiros e a falta de capacidade para avaliar as reais consequências que adviriam desse movimento justo, porém inoportuno, levaram a nação a ter um prejuízo muito maior do que aquele que poderia ter sido se o governo tivesse aberto um leque de discussão mais amplo, chamando para a mesa de negociações os empresários do transporte, a Confederação Nacional da Agricultura. As Federações da Indústria e do Comércio e os caminhoneiros, pois todos são peças pertencentes a mesma engrenagem do sistema econômico.

Preferiu o governo chamar para negociar apenas os caminhoneiros, preferindo usar contra os empresários as ferramentas fiscalistas e as armas institucionais, acusando-os da prática
do LOCAUTE. Como podem os empresários pregar a ociosidade e semear a desordem, se o sucesso de seus negócios depende do binômio “Ordem e Progresso? A meu ver, o governo procura justificar sua incompetência e fracasso no gerenciamento da crise com os caminhoneiros, acusando injustamente o empresariado brasileiro de praticar Locaute, não será isso um Nocaute?

*O autor é empresário

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