Lixo e cidadania: “Pensar globalmente, agir localmente”.

De acordo com José Saramago, escritor português, hoje é que a sociedade vive, realmente, na caverna de Platão. Nesse sentido, no Brasil, esse axioma pode ser comprovado, sem muita análise crítica, haja vista o modelo social egocêntrico seguido pelos brasileiro no último século. Assim, uma das consequências de tal conduta, somada ao modelo econômico capitalista desumano, é o excesso de lixo no país, produzido em larga escala com um rendimento de aproximadamente 250 mil toneladas por dia.

Mormente, segundo o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, em sua obra modernidade líquida, as relações interpessoais contemporâneas são instáveis, melhor definida pelo escritor como voláteis. Sob tal ótica, a falta de altruísmo é o cofator da sociedade “líquida” e fica mais evidente a medida que o modelo de criação das crianças brasileira, independente da classe social, tornou-se consumista. Desse modo, o aumento de lixo no continente é diretamente proporcional aos níveis de compra de produtos, assim, silogisticamente, a população, hoje, instrui os pequenos, desde cedo a serem produtores, em modelo fordista, de lixo.

Além disso, a indústria mundial a partir do ano de 1940 aderiu uma ferramenta econômica que passaria a ser o maior responsável pelo excesso de lixo, principalmente não reciclável, da atualidade, a obsolescência programada. À vista de tal preceito, é indubitável que houve uma desumanização ligada a busca de riqueza, pois condutas capitalistas como a supracitada gera um acúmulo de lixo enorme no país, que somada a falta de políticas rígidas de destinação ideal, bem como triagem com separação adequada dos resíduos, são fatores contra a perpetuação da espécie humana na terra.

Destarte, depreende-se que a exacerbada produção de lixo e sua errônea manipulação pelos indivíduos fazem parte de um processo histórico, que de década em década foi aderindo valores contra a natureza, a interação da sociedade e contra a vida. Pensando nisso, estudantes de psicologia, como forma de trabalho do curso, devem visitar as escola, periodicamente, e realizar reuniões envolvendo pais e alunos com o objetivo de instruir por meio de dados, fotos e vídeos a necessidade da amenização da conduta capitalista precoce dentro das casas brasileiras. Outrossim, torna-se imperativo que o Estado proporcione isenções fiscais às empresas que além da fabricação dos produtos, pratiquem a reciclagem do que sobrar após o consumo. Apenas sobre tal perspectiva, poder-se-á combater a invisibilidade egocêntrica humana e quiçá, equilibrar a relação das indústrias com a natureza.

 

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