Em memória ao Pastor Nonato!

Por Daniel Melo*

No primeiro dia de dezembro de 1927, na singela Ubajara (CE), nasceu Raimundo Carneiro Pessoa, que viria a ser chamado de Nonato por toda sua vida. Filho de uma numerosa família, cedo saiu de casa em busca do Eldorado da Borracha, chegando ao então território do Acre. Trabalhou, viveu intensamente, conheceu o salvador Jesus e casou com a serva de Deus Alaíde, que lhe deu quatro filhos: Os pastores Azaf e Abimael, irmã Libna e a saudosa Elian.

Em 1957, morando em Manaus, trabalhando em uma serraria, recebeu um desafio de implantar a IDPB (Igreja de Deus Pentecostal do Brasil) no Amazonas. Junto com o americano John king, o então ainda jovem Nonato começou uma jornada heroica, que culminaria com um ministério grandioso em nosso Estado. Tudo se iniciou na pequena Borba, no Rio Madeira, em um ambiente hostil de perseguição religiosa. Contudo, como um sertanejo forte, pastor Nonato não se intimidou e deixou uma semente frutífera.

Durante anos, nosso amado pastor peregrinou por alguns Estados, até retornar a Manaus em 1976, assumindo a IDPB Educandos, onde pastoreou até 2010, ano em que o Senhor o recolheu para sua glória.  Foi também Presidente Estadual e Nacional da IDPB, figurado ate hoje como Presidente de honra desta crescente instituição, que o tem como um exemplo de apostolado e abnegação. Sua vida era o próprio evangelho, seu lema era servir, servir com alegria, mesmo na luta, mesmo na dor!

Quem era este homem de aparência tão frágil e sorriso tão carismático? Um amigo, um pai espiritual, um ser totalmente devotado a cumprir o Ide de Jesus. Gerou muitos filhos na fé, entre os quais me incluo; abriu igrejas, semeou na vida de outros ministérios. Não buscava honraria, queria apenas ser chamado de pastor. Vida simples, exemplo de despreendimento, amava investir em pessoas, mesmo quando estas pareciam desacreditadas. Amava visitar lugares humildes; afeiçoava-se com as tribos indígenas, era querido pelos jovens e crianças. Se eu tivesse que lhe dar um nome, eu o chamaria “Senhor Evangelho”. Partiu como sempre viveu: Abrindo igrejas e pensando já em abrir outras.

Em nosso ultimo encontro – pouco tempo antes de sua partida – estava entusiasmado porque havia chegado de uma viagem missionária. Seu corpo já estava cansado, mas o seu espírito era renovado por cada novo desafio. Se vivo, completaria 90 anos, imagino ainda sorrindo, falando de suas aventuras e desafiando-nos a cumprir nossa chamada missionária!

Aqui de forma simples, quero deixar minha homenagem ao pai, amigo, mestre, conselheiro, pastor e companheiro. Um homem que construiu os alicerces de uma igreja; que nos legou uma herança bendita; um general da fé que fora soldado da borracha; um gigante em corpo tão franzino; um Apóstolo sem título, que tão somente é o amado pastor Nonato, eternizado em nossas lembranças!

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