Amazonas segundo turno: aliados confiantes x alianças confiáveis

Depois de um primeiro turno onde o que realmente marcou foi o que está por trás do surpreendente resultado de Amazonino Mendes, que, na prática, foi exumado, pelo mesmo grupo que elegeu José Melo, hoje absolutamente nas sombras, mas que, na visão dos mais realistas: não apresentou uma solução concreta para nenhum dos problemas do Amazonas; morou o tempo todo na abstração de um discurso de bêbado com Delegado, e, pelo total cenário de descrédito do momento político atual, venceu, talvez, por que, de todos, é, no momento, o único com um curioso perfil, de ex-político.

Poeira baixando, em horas, Braga precisará reorganizar a tropa, interpretar os números, tomar fôlego e pular no ringue, para amanhecer noutro cenário, provavelmente atras dos titulares da imensa abstenção e dos grupos de Rebecca e Zé Ricardo, sabendo que, obviamente, os verdadeiros articuladores do Grupo de Amazonino já sondaram vários deles desde o início da campanha.

Tive a honra e o prazer de trabalhar com um dos poucos políticos coerente  e fiel dessas banda, Pedro Falabella, Ítalo-brasileiro, terrível, genioso, genial e acima de tudo: Homem de uma só palavra, sempre. Ele me disse sempre : “política flerta com a traição… o tempo todo…mas execra o traidor”.

Desde que ouvi essa frase dele jurei que era de algum filósofo, não: era biográfica. Eu estava com ele na noite fatídica de sua decisão de colocar o cargo à disposição do Governo, depois de uma reunião na SEFAZ, em 2014, onde foi pressionado, principalmente pela sua vinculação ao PMDB, mas acima de tudo ao Eduardo Braga, e, preferiu manter sua palavra, sua honra e a confiança que ele sabia que Sr. Carlos, pai do Braga tinha nele e na sua palavra; voltamos para AFEAM quase 20:00  e redigimos sua Carta ao Governador, da qual tenho o manuscrito, redigido à quatro mãos,  só eu, ele é o motorista Geraldo, Pedro ficou aliviado em não ceder, sabia que, por trás, como é de praxe, já havia uma outra traição orquestra da contra ele por um outro servidor que queria sua cadeira, e que traição e golpe baixo, em 2014, como ficou provado, era regra.

No dia seguinte, fomos pessoalmente entregar sua carta. Na volta, no carro, depois do protocolo da carta dele, entreguei-lhe a minha, e tenho orgulho de ter minha saída, assinada por ele, como seu último ato, com a expressão “exoneração à pedido”, saímos dali em paz, mas dois Homens, no melhor sentido da expressão, de cabeça em pé, e em paz, não com Eduardo Braga, que nunca nem soube desses detalhes, embora sempre tenha demonstrado carinho familiar com. Os Falabella, mas com nós mesmos, com nossas famílias e com a nossa biografia.

Reflito na necessidade de composições e alianças de Braga e Marcelo, a quem conheço com muito mais profundidade, e sei que ambos travarão lutas internas talvez maiores que as externas, para ajustar suas estratégias, por que há um leilão imenso no horizonte, talvez caro demais.

Tenho atuado, sem  parar, desde 2002, nas eleições no Amazonas, em vários municípios e vi vários personagens em 9 disputas, fui me especializar em Direito Eleitoral, para ter uma visão mais técnica, observo e discuto sempre, e não apenas em períodos eleitorais, política e cenários políticos com vários amigos, principalmente jornalistas experientes e noto que na política acordos podem ter prazo ou data de validade. 

A depender de um interesse, uma verdade dita hoje amanhã já se tornou obsoleta ou esquecida. 

A máxima de Nicolau Maquiavel “os fins justificam os meios“, escrita em 1514, serve como desculpa para justificar muitas atitudes contraditórias ou incoerentes, para não dizer traidoras. Teórico do poder, e mais importante, de como se manter no poder, Maquiavel, quase quinhentos anos depois, permanece atual. 

Longe de sua frase mais clássica, ao ler o seu texto mais famoso, O Príncipe, encontra-se pérolas e ensinamentos sobre relações políticas. 

Por exemplo: “um senhor prudente, portanto, não pode nem deve cumprir a palavra dada quando tal cumprimento se volta contra ele e as razões que levaram a assumir o compromisso não existem mais“.

Fico me perguntando : que tipos de alianças e aliados passarão na porta de Braga e de Amazonino a partir de agora ? Talvez até os mesmos. E quais são confiáveis ? Amazonino deve ter aprendido uma cara lição na eleição para Camara, quando era prefeito, e perdeu por um voto, dado como certo, na véspera, e Eduardo ? Tem tido experiências horríveis, mas tem outros Falabella ao seu lado,  aliados verdadeiros que terão que se desdobrar.

Creio, particularmente que o segredo dessas alianças não estará na observação e escolha dos Discípulos, mas na habilidade de notar qual deles se aproxima com um DNA diferente, um que se vende por 30 moedas, um aliado diferente, que senta à mesa para ceiar e vende o Mestre.

A população precisava mesmo era enxergar além dos candidatos, das propostas (ou da falta delas), deveriam observar os “aliados” e as alianças, pois, como dizem: não há almoço de graça e a fatura virá. Talvez o melhor ditado hoje fosse: “diga-me com quem andas e com quem te aliás e eu pensarei se voto em você “

*O autor é advogado, professor e consultor

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